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CONTRAOFACILITISMO

Blog para debater ideias que recusem o facilitismo em educação.

CONTRAOFACILITISMO

Blog para debater ideias que recusem o facilitismo em educação.

As vicissitudes da ADD

vai-teaosprofessores, 14.10.21

Depois de 4 anos numa SADD é tempo de fazer o balanço desta função.

Era prática corrente atribuir a nota máxima de 8,9 aos avaliados do quadro, para atingirem o Muito Bom, qualquer que fosse o escalão. Esta prática prejudicava os avaliados dos 4º e 6º escalões, que iam para as listas competir com colegas de outras escolas onde se atribuíam notas de 9 ou superiores. Julgo que a razão de ser desta prática resultava, por um lado, de se procurar ser criterioso com os excelentes e, por outro lado, de «harmonizar» as notas atribuídas. De qualquer maneira estávamos a atribuir classificações qualitativas e não quantitativas, à partida, quando a notação qualitativa devia surgir somente no final aplicando as quotas. Esta metodologia prejudicou vários colegas. Consegui que esta prática deixasse de existir, começando a haver Bons com notas quantitativas superiores ou iguais a nove.

Outra vicissitude que havia era a intromissão do diretor/a na avaliação dos avaliadores internos, sem ser nos dos escalões 8 e 9 de sua competência exclusiva, através de uma reunião convocada, mas sem ata (!), onde o diretor/a se inteirava das propostas de avaliações de Muito Bom e Excelente, com vista a sufragar as escolhas feitas. Qualquer avaliador interno que discuta a ADD com o diretor/a está a ceder a sua competência atribuída por lei, reforçando um poder já muito concentrado e desequilibrado. Não podemos dizer que queremos alterar o poder excessivo atual dos diretores e na prática reforçá-lo, abdicando das nossas competências.

Outra prática consiste em desvalorizar a avaliação externa para que a escola possa ter maior controlo sobre as classificações atribuídas. Pessoalmente inscrevi na dimensão científica e pedagógica, nos itens 4, 5 e 6, a classificação que o avaliador externo atribuíra com base nas aulas assistidas, onde o avaliador interno não esteve presente. Reconheço que para estes itens o avaliador externo tem mais informação que o avaliador interno. Contudo, não posso deixar de achar estranho a proliferação de notas máximas (10), o que sociologicamente pode indicar um ato de resistência dos avaliadores externos a esta ADD.

Com o surgir das reclamações houve um «movimento» para se acabarem com delegações de competência por parte dos coordenadores de departamento. Esta delegação de competências permite que o avaliador interno seja da mesma área científica ou grupo disciplinar, o que me parece fundamental. Não aderi a estas práticas, exceto quando não tinha hipóteses de delegar porque, em quem podia delegar, eram também avaliados, nesse ano. Entendo que o avaliador interno deve ser da mesma área, além de que na minha escola há mais reuniões de grupo do que departamento, com o reforço argumentativo que a dimensão dos grupos é muito mais reduzida e permite um melhor acompanhamento dos avaliados. Este movimento pareceu-me ter a intenção de reduzir os participantes no processo avaliativo, ou seja, fechar o mais possível este processo a «gente de confiança». Esta suspeita foi confirmada com a redução dos coordenadores de departamento de 8 para 6, com a entrada num novo ciclo diretivo com a recondução do diretor/a. Pessoalmente pugno pelo oposto, tornar o processo avaliativo mais transparente.

Concluindo, a ADD sendo uma má solução legislativa, está também a ser aplicada, no âmbito de um caso específico, com algumas práticas de que me demarquei. O resultado destas captura local da ADD é todos os elementos ligados à direção terem tido classificação qualitativa de Muito Bom ou Excelente e nunca se ter procedido à seriação dos avaliados prevista na lei para os casos de empate, o que prova um controlo sobre o processo.

A propósito de um caso de indisciplina que constitui crime.

vai-teaosprofessores, 24.06.21

Sou professor de alunos com mais de 16 anos que me brindaram com ameaças de morte e insultos pessoais e familiares através de correio eletrónico anónimo. Passou-se no  primeiro período, tendo-lhes dado um prazo até ao natal para assumirem as suas responsabilidades.

A escola iniciou um processo de averiguações, mas como o prazo para assumirem responsabilidades acabou, sem ninguém se acusar, resolvi também fazer queixa na GNR. A minha decisão de levar o caso para fora da escola resultou de não terem assumido a sua responsabilidade e por de início ter sido muito difícil provar quem foram os autores, pois usaram uma conta de mail que encontraram aberta num computador e não havia registo de quem usou o computador, apesar de se ter identificado o computador utilizado. A colaboração da Google só seria possível através de um órgão de polícia, para identificar os autores.

Entretanto em sede de inquérito na escola houve um aluno que resolveu assumir as suas responsabilidades e denunciar os outros, tendo identificado os 4 autores. O castigo da escola foi aplicar suspensões diferenciadas aos alunos, com menos tempo para o que se assumiu.

Depois fui contactado pelo Ministério Público para prestar declarações sobre o assunto. Falei em desistir da queixa, o que não se podia fazer por ser crime público, uma vez que tinha o receio de ficarem com registo criminal e não cria estragar a vida aos alunos. O processo lá seguiu e recentemente comecei a receber pedidos formais de desculpa e soube que foram condenados a trabalho comunitário.

Quiz trazer este caso pessoal, para incentivar os professores a apresentarem queixa quando alvo de crimes, tanto mais que no meu caso, houve muito bom senso na decisão proposta pelo MP e homolgada por um juiz, sem que ficassem com cadastro, o que me preocupava. Acho que o castigo da escola deveria ter sido também trabalho comunitário em vez das suspensões, não consigo perceber porque há diretores que não o aplicam, mesmo estando previsto no estatuto do aluno. 

Comemoração da revolução de abril de 1974.

vai-teaosprofessores, 27.04.21

Passaram 47 anos desde que uma ditadura foi deitada a baixo e uma democracia foi instalada. Antes tínhamos pensamento único, partido único, censura, polícia política, tribunais especiais, ou seja tudo o que fazia com que a palavra democracia fosse letra morta. Depois foi instalada uma democracia, de início tutelada pelos militares revoltosos, que se afastaram da vida política, num exemplo raro.

Passados 47 anos o expresso (de dia 23) fez uma sondagem em que só 10% dos portugueses diz viver uma democracia plena. Este resultado deve fazer-nos pensar que a democracia plena tem vindo a ser capturada por grupos de interesses.

Não posso deixar de assinalar que nas escolas há cada vez mais captura pelos diretores do funcionamento das escolas em nome de uma eficiência neoliberal. Os alunos estão acantonados a processos democráticos de escolha da comissão de finalistas, pois as associações de estudantes preocupam-se basicamente com esta questão, ou com os orçamentos participativos em que escolhem entre projetos para gastar até 1000€, projetos esses previamente aprovados pelo diretor. Os professores elegem representantes no Conselho Geral, que escolhe o diretor e os coordenadores de departamentos, entre 3 nomes propostos pelo diretor. Os coordenadores são importantes na avaliação docente, mas há diretores que em vez de lhes dar autonomia, promovem reuniões de coordenação de acesso às quotas disponível, contornando o espírito da lei que diz que a SADD deveria limitar-se a seriar as propostas de classificação. Neste processo a própria avaliação externa, com aulas assistidas, é desvalorizada em nome de um controlo absoluto pelo diretor/a diretora.

O que se passa nas escolas em termos de prática democrática é importante para a defesa da própria democracia, pois com práticas democráticas os futuros adultos estarão mais atentos à sua defesa, mas a escola parece ensinar que quem manda tem poder absoluto e deve tudo controlar. Não há autonomia dentro da escola. O conceito de cidadão como ator social interveniente é abandonado.

Esta é a reflexão que quis trazer a propósito da escola na comemoração de mais um aniversário do 25 de abril. Estamos a contribuir para uma democracia limitada em especial na escola conforme a sondagem do expresso?

A necessidade de testagem nas escolas ficou provada.  

vai-teaosprofessores, 23.04.21

O recomeço das aulas foi acompanhado por vacinação e testes, interessa-me particularmente estes últimos na medida em que têm surgido casos. No meu concelho há 3 agrupamentos de escolas e houve deteção de casos em cada um deles, agora com turmas inteiras mandadas para casa, quando antes iam só os alunos que estavam à volta do aluno infetado, o que sempre me pareceu um facilitismo.

Temos assim provado o engano do governo e em particular do ministro da educação que acreditava (baseado na fé!) que as escolas não eram locais de transmissão do vírus. Os dados provam o contrário, os casos são da ordem dos 1 ou 2 por mil, poucos, mas que podem gerar surtos. Ficou assim provada a necessidade de haver rastreios e o seu efeito benéfico na restrição da propagação do vírus.

Já agora não posso deixar de referir o comportamento de uma aluna que ao receber o mail em que lhe comunicavam que tinha um teste positivo, tirou a máscara e abraçou-se aos amigos/as e colegas, com um comportamento emocional e pouco racional. Este episódio pode explicar a crença de quem está nos gabinetes, ao imaginar um ambiente escolar que não existe, a que eu chamo síndroma do «castelo de marfim».

Concluindo, a testagem, ficou provado, é um elemento essencial para tornar as escolas mais seguras para evitar o surgir de surtos concelhios ou escolares. Deveria ter sido aplicada mais cedo.

O Ministério da educação mudou de política?

vai-teaosprofessores, 14.04.21

Tenho a minha vacinação agendada para domingo e recebi um computador com ligação à internet, que me permitiu deixar de ter interrupções durante as aulas síncronas, apesar de só ter acontecido na última semana de E&D. Com tantas benesses de um ministério que tem sido penalizador dos professores, o que pode explicar esta mudança de comportamento?

No caso das vacinas a explicação mais simples pode ter a ver com a existência de vacinas, mas se nos lembrarmos que este ministério já teve uma atitude negacionista do impacto da Covid nas escolas e só as fechou depois de muita pressão dos professores e da opinião pública, teremos de colocar pelo menos outras hipóteses. O que fez o ministério da educação promover testes de despistagem e tornar os professores prioritários na vacinação, no âmbito das funções essenciais do estado, como já foram os médicos, enfermeiros, assistentes da saúde, outros técnicos de saúde, bombeiros, polícias, etc? Ou há informação oculta sobre o Covid nas escolas ou está na hora do governo ser simpático porque se aproximam eleições municipais, importantes para um governo minoritário? Quando a esmola é muita o pobre desconfia...

Outro facto positivo foi o programa de apetrechamento dos professores em teletrabalho com computadores e internet, uma obrigação legal da entidade patronal para com os subordinados em teletrabalho. Podemos pois interpretar esta distribuição de computadores como o governo estando a cumprir a lei, ainda que tardiamente, depois de alguns professores terem promovido o apagão de protesto contra esta situação. Mas, como o ministério optou por nada dizer durante os protestos, aqui também temos de colocar outras hipóteses. Porquê a opção por ceder em regime de comodato computadores aos professores quando as escolas estão ainda mal equipadas? (Ainda agora mandei um mail à direção da minha escola a pedir para me garantirem uma sala de informática numa disciplina em que estou a dar um programa informático quando dia 19 regressarmos ao ensino presencial e não a terei em todos os tempos como já aconteceu no passado, colocando-me problemas do que fazer nas salas de aulas sem computadores que me permitam cumprir o programa?). Havia dinheiro para gastar dos fundos europeus e comprar computadores portáteis foi a solução mais exequível? Porquê gastar este dinheiro em computadores quando se podia acabar com as restrições administrativas nas subidas de escalão aos 5º e 7º, como pede uma petição? Outra hipótese, já colocada acima, é não podermos ignorar que se aproximam eleições municipais...

Concluindo, há aqui uma mudança de política, de aproximação a algumas reivindicações dos professores, como a vacinação destes, que aumenta a segurança nas escolas contra o Covid e o cumprimento de condições legais  quanto ao teletrabalho. Esta mudança terá a ver com o calendário eleitoral, em que cede alguma coisa, sem resolver problemas de fundo, como escolas mal equipadas no parque informático ou tornar a carreira de professores atrativa?

Escola de verão versus redução de alunos por turma.

vai-teaosprofessores, 01.04.21

A partir de um estudo diagnóstico das aprendizagens foi constatada a necessidade de recompensar a fraca qualidade das aprendizagens devido ao E&D. Vamos admitir como razoáveis as conclusões desse estudo apesar de não haver comparações que permitam separar os efeitos conjunturais da pandemia dos efeitos estruturais, uma vez que não temos dados para anos sem pandemia, apesar da conclusão «de que as dificuldades demonstradas pelos alunos nos níveis mais elevados não é diferente da registada em outros instrumentos de avaliação, nomeadamente em testes internacionais como o Programme for International Student Assessment –  PISA».

A Peralta, economista com acesso a órgãos de informação, apareceu a defender como recompensa a criação de uma escola de verão, isto é criar nas férias de verão um sistema para recuperar as aprendizagens. Mais propõe, que os monitores ou tutores fossem recrutados fora da escola. Ou seja, para esta senhora qualquer um pode prestar serviços educativos, o que posso concordar se o objetivo é fazer qualquer coisa para ocupar os estudantes... Pela qualidade da proposta está tudo dito quando se parte do princípio que qualquer um pode ensinar. Quanto à exequibilidade, foi tão lesta a apresentar contas do prejuízo da paragem das escolas duas semanas, mas agora não apresenta contas. Esta proposta só é realista ao não contar com os professores, porque talvez reconheça o cansaço dos docentes e o facto de que os professores têm muitas tarefas para desempenhar, como garantir os exames ou realização das PAPs, além de que não passa pela cabeça de ninguém os professores ficarem sem férias.

A solução, será na minha opinião, o que se debate na Assembleia da República, a redução de alunos por turma e um sistema de coadjuvações que permita recuperar ao longo do próximo ano letivo as aprendizagens falhadas. Assim, teríamos um prazo alargado para proceder às recuperações necessárias. Esta solução seria aplicada com verdadeiros profissionais da educação. Além disso, se o problema for essencialmente estrutural, com a redução de alunos e reforço de apoios, como coadjuvações, tutorias, salas de estudo, estamos a pensar no futuro e não num remendo. Só um esclarecimento, os apoios seriam substanciais e não paliativos, ainda que limitados a certas disciplinas, como acontece já com aulas de coadjuvação de 15 em 15 dias, ou seja, a haver coadjuvação seria em 50% da carga letiva.

A educação, um ministro forte e o plano de recuperação e resiliência.

vai-teaosprofessores, 22.03.21

A educação encontra-se numa fase em que enfrenta várias encruzilhadas: entre exames e perfil do aluno, entre apoio suplementar aos alunos com fraco capital cultural no seio da família e nivelar a avaliação por baixo, a gestão escolar neoliberal (em vigor, com predomínio de um gestor forte e quase sem contrapoderes) e uma gestão democrática e participativa com vários poderes (que se equilibram), entre uma carreira docente motivadora e a cada vez maior escassez de docentes, entre alterações constantes aos normativos que desvirtuam os princípios basilares (concursos de professores em que a graduação dos docentes, princípio basilar, está cada vez mais desvirtuado), entre educação do século XXI com mais meios técnicos e reconhecimento do papel central do relacionamento humano na educação, entre uma carreira docente e um sistema de avaliação docente penalizante dos bons professores acima dos 25% de quota, entre mais autonomia (que de vez em quando aparece para o centro poder lavar as mãos se algo correr mal)  e um sistema cada vez mais centralizado (agora até a formação é cada vez mais formatada).

Face a estas encruzilhadas que exigiriam um ministro da educação forte, temos um ministro que se limita a gerir o dia a dia, sem tentar resolver problemas de fundo. Tirando a aposta em equipamentos informáticos e a opção de dar prioridade às escolas abertas, mesmo quando já houve colisão frontal com as questões de saúde (com a sonegação de informação sobre o covi-19), todos os outros problemas são escamoteados ou mesmo agravados. A aposta em equipamentos já vem tarde e acima de tudo é uma resposta conjuntural à pandemia e à necessidade do ensino à distância, pois todos nós professores conhecemos este problema como estrutural, devido a escassez de equipamentos informáticos, que tem décadas,  e à «luta» por obter salas informatizadas para se dar uma aula diferente da simples exposição de matéria seguida da resolução de exercícios (principalmente nos cursos profissionais).

O plano de recuperação e resiliência poderia ser uma oportunidade para se proceder a reformas de fundo. Reformas de fundo não é comprar material informático, mas colocar no centro da política educativa as pessoas. É elaborar um plano para reduzir os alunos por turma e dar apoio efetivo aos alunos que mostram dificuldades de aprendizagem, superando as lacunas na sua bagagem sócio-cultural (aulas coadjuvadas de 15 em 15 dias é um paliativo). É decidir que o perfil do aluno é orientador da formação secundária e remeter o acesso à universidade para fora das escolas secundárias.  É mudar o sistema de gestão para que haja equilíbrio de poderes. É criar uma carreira docente motivadora e uma avaliação docente mais estruturada (as reduções do artigo 79º podiam ser usadas numa avaliação docente formativa (em vez de horas na biblioteca ou em salas de estudo sem alunos) com mais aulas observadas. É acabar com a lógica absurda de excluir bons professores de conseguirem boas classificações por falta de quotas. É criar um concurso de professores em que a graduação seja o único fator de acesso aos quadros. Temo que com esta equipa governativa o plano de recuperação e resiliência seja só escolas novas e equipamentos informáticos. Se o atual ministro reconhece a importância da relação aluno / professor em educação e por isso quer as escolas abertas, não se compreende que haja um plano de recuperação e resiliência que só olhe para as infraestruturas materiais e não olhe para a melhoria das questões humanas ao nível de apoiar melhor os alunos com dificuldades, da gestão, da carreira docente e concurso de professores.

Para concluir estas reformas, centradas no ser humano, no apoio efetivo aos alunos, na forma como é gerida a escola, como motivamos os professores na sua carreira e como se entra nos quadros, exige um ministro da educação forte, que não se limite a gerir as crises e faça navegação à vista. O plano de recuperação e resiliência centrado só em equipamentos é uma oportunidade perdida, como foi a aposta no betão.

 

A escola é bipolar em questões de avaliação.

vai-teaosprofessores, 10.03.21

Na escola temos a avaliação dos alunos, em que há uma grande pressão para não haver retenções, com a obrigação de haver uma pedagogia e mesmo avaliação diferenciada, isto é, se na avaliação formativa  se detetam dificuldades no aluno, para além de se tentar superá-las, a avaliação deve adequar-se ao seu nível de competências. Agora, com o ensino à distância, e com maior peso do segundo período, como a avaliação não pode ser tão rigorosa como a presencial, prevejo uma subida das médias dos alunos. Fomos informados que em caso de avaliações negativas os professores têm de justificar as situações elaborando um relatório em que explicitem as estratégias adotadas para superar as dificuldades, cabendo aos professores o ónus da prova de que foram competentes, sob pena de haver repetição do conselho de turma.

Do lado dos professores temos uma avaliação baseada em cotas, que limita os professores com notas máximas a 25% dos avaliados, ou seja, para esta parte da escola, mesmo que tenhas um trabalho exemplar corres o risco de não seres contemplado com pelo menos Muito Bom. Conheço um caso que depois de saber a classificação atribuída que só em termos quantitativos lhe fez justiça, mas que em termos qualitativos ficou com Bom por falta de cotas, com a perspetiva de ficar um a dois anos sem subir de escalão, sofreu uma depressão e afastou-se da escola por doença, com as consequências de os alunos terem ficado sem aulas até haver substituto, as suas atividades para o PAA ficaram interrompidas, etc.

Concluindo temos na escola, na avaliação dos alunos, uma orientação para valorizar ao máximo o que o aluno faz bem, por outro lado, na avaliação de professores, mesmo que sejas excelente ou muito bom, podes não ter cotas, ou seja, a restrição financeira pesa mais que a competência. A uns valoriza-se o máximo, a outros, penaliza-se um trabalho excelente. A uns deve-se dar motivação, a outros tira-se motivação!

Do confinar aos desconfinar: uma questão de fiducia.

vai-teaosprofessores, 03.03.21

O fecho das escolas foi uma luta tremenda dos professores e de elementos da sociedade civil para contrariar a visão obstinada do governo que o fecho das escolas ia acentuar a desigualdade entre alunos, pelo que não foi equacionada com seriedade, pelo lado do factor pandemia. Assistimos ao aumento de casos na sociedade e nas escolas, ao tratamento diferenciado dos contactos dos casos positivos (umas vezes ia toda a turma, outras vezes só os colegas que circundavam, outras ainda ninguém), o que provocou insegurança para todos os que estavam na escola e cereja em cima do bolo, a uma política de esconder o número de casos. Esta visão do governo «otimista» (ou negligente) não aconteceu só na educação, mas também no Natal, na elaboração de planos de contingência em que não foram acautelados  cenários mais pessimistas. Mas na educação a esta visão otimista juntou-se a vontade de ter as escolas abertas a qualquer preço, pelo que os planos de contingências não previram a aquisição de meios de trabalho (computadores e net) a tempo e horas e nem sequer houve preocupação em fornecer as condições de teletrabalho aos professores. Se há ensino à distância é com os equipamentos dos professores, pelo que estes já pagam um imposto escondido, através do aumento da despesa (equipamentos extra, reforço da internet, acréscimo nas despesas de luz), portanto não são os professores que são os ‘aristocratas’ do teletrabalho, nem os beneficiados pela crise (telecomunicações, indústria dos computadores, etc).

Agora a escola está outra vez na berlinda, por pretenderem ser a primeira a desconfinar, provavelmente até aos 12 anos, isto é, até ao 2º ciclo. Não me oponho, mas com testes antes da reabertura, a todos, repetidos com regularidade, com uma política de transparência de casos positivos covid em ambiente escolar e protocolo de quem faz quarentena igual para todas as situações, escolares ou societais. Os professores não se importam de dar aos alunos as condições ideais, que passam pelo ensino presencial, mas querem sentir-se seguros, não a 100% que é impossível, mas dentro de medidas razoáveis e que já foram anunciadas, como o testar cada vez mais e ser transparente na divulgação dos casos e  quarentenas necessárias. A vacinação também seria importante, mas com a escassez de vacinas, aceito esperar pela minha vez - havendo vacinas disponíveis acho que devia haver uma prioridade intermédia para as escolas. Contudo, tenhamos consciência que a abertura das escolas dá um sinal à sociedade de melhoria substancial das condições pandémicas (Guinote à SIC), criando condições subjetivas para comportamentos que ignoram a situação pandémica.

A grande questão que se levanta é saber se podemos confiar (fiducia - confiança) num governo e num ministro da educação que tem falhado sistematicamente aos professores?  

Manual de como lidar com a contestação.

vai-teaosprofessores, 24.02.21

Quando o poder ou seus boys está perante críticas ou propostas de alteração do «status quo» de que não gosta, em alguns blogs sobre educação, usa formas de contra informação para as rebater, como comentários anónimos, tipo “não percebes nada disto”, como forma de desvalorizar a opinião formulada pelo respetivo autor. Contudo, este tipo de comentários evitam um debate frontal e aberto, ficando-se pela crítica sem justificação. Sempre que comento a ADD, particularmente chamando a atenção para a circunstância de não haver colaboradores da direção sem muito bons ou excelentes, lá aparece este tipo de comentário.

Outra forma de responder aos blogs é sob a forma das chamadas «araras», comentários que dão razão ao autor, mas que desvalorizam a ideia ou crítica, por ser inoportuna, tipo não fazer sentido durante a pandemia haver questionamentos, quaisquer que sejam, no sentido de em tempo de crise é preciso cerrar fileiras e apoiar o governo. O problema desta forma de desvalorizar a opinião é que no limite criticar o governo e seus boys é sempre inoportuno! Que saiba o estado de emergência não limita os direitos de opinar e mesmo sindicais. Constato também que a pandemia não suspendeu as transferências de milhões para o Novo Banco …

Por fim temos uma última reação do poder, a de ignorar ou fugir às questões, como está a acontecer com os equipamentos para os professores, em que vemos sistematicamente a questão a não ser respondida pelos governantes. Esta tática é usada quando se sabe que se está a contornar a lei, neste caso do teletrabalho e a obrigação da entidade empregadora fornecer os instrumentos de trabalho.

Outra forma de lidar com a contestação, esta mais despudorada, apareceu com a petição da redução de alunos por turma, em que o representante dos pais, na audição, esteve contra, ignorando todas as evidências científicas, a aplicação com resultados em determinados países, tornando claro que foi uma atitude de subserviência política, mesmo contra os interesses dos representados.

Concluindo, ou dizendo que uma certa opinião demonstra ignorância, sem a contestar nos seus fundamentos, ou aceitando o argumento mas preferindo esperar por melhores dias, ou seja adiando o debate, ou ignorando o assunto porque se sabe que não se cumpre regulamentos, ou mesmo indo contra os interesses representados, são as formas habituais do poder e seus boys de responder à contestação.