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CONTRAOFACILITISMO

Blog para debater ideias que recusem o facilitismo em educação.

CONTRAOFACILITISMO

Blog para debater ideias que recusem o facilitismo em educação.

Setembro 21, 2019

Notas sobre a abertura do ano letivo

vai-teaosprofessores

A primeira nota é que para as colocações terem saído a meio de agosto, as escolas anteciparam as necessidades de professores duas semanas, ainda com turmas por aprovar, o que teve como consequência haver mais professores lançados em horário zero (que corresponde a ter de concorrer e ir a concurso) e recuperados de seguida. Outra consequência foi a diminuição da oferta de vagas que depois sobraram para as RRs. Ou seja, o governo fez um brilharete político à custa da instabilidade criada com professores notificados que tinham horários zero e o adiar de colocações habituais em agosto para setembro, conhecendo eu um caso que, por causa deste esquema se perdeu o acesso à norma travão.

O segundo caso refere-se a uma escola requalificada que passou a ter um computador em cada sala (o que antes não acontecia) que permite aos professores fazerem sumários eletrónicos (melhoria no processo administrativo de controle) e passar power-points a partir de uma pen, evitando que o professor traga o seu portátil como fazia antes, mas o número de salas de informática, onde se pode fazer um ensino mais do século XXI e introduzir métodos de avaliação diferentes dos testes, não se alteraram, continuando a ser uma luta para se obter as ditas salas. Não sei de onde veio o financiamento para cerca de mais de meia centena de computadores, se do ministério, se da câmara (que financiou parte das obras) ou da união europeia, mas escolher utilizar recursos para processos administrativos ou permitir aulas expositivas com projeções, está longe do espírito do decreto 55, que promove a inovação pedagógica, que é facilitada com o acesso a meios tecnológicos.

Nota final, continua-se a exagerar nas reuniões, soube de um caso em que só em setembro, estão previstas duas de departamento e duas de grupo, mais os Conselhos de Turma. Dizem-me que duas delas são redundantes, mas dão a ilusão de intenso trabalho dos professores.

Concluindo, olha para o que eu digo e para as aparências, não para os normativos. Isto é, a micropolítica e a política, da ilusão no seu melhor.

Setembro 12, 2019

A formação tornou-se numa política educativa

vai-teaosprofessores

Neste último governo agravou-se a tendência da formação de professores se ter tornado em mais um elemento da política educativa para concretizar os objetivos do governo.

Este facto pode ser comprovado da seguinte maneira: em primeiro lugar são os temas lançados pelo governo, como o perfil do aluno, a flexibilidade curricular e a medidas para lidar com alunos com dificuldades (DL54) que foram os temas prioritários da formação no ano passado. Para este ano a formação vai-se centrar na avaliação, para articular esta com os temas atrás referidos. Mas, a grande decisão fica por tomar: o que fazer com os exames? Aqui falta ao governo coragem política, que é resolver se os exames continuam e passar o acesso para o superior para as universidades. Ainda hoje tive ações de formação sobre estes temas e houve unanimidade sobre a contradição disto com exames, cumprimento de programas e reuniões para os docentes articularem, que a existirem tornam o horário dos professores em quase como o dos motoristas, isto é, fazem horas sem lhes pagarem, nem sequer através de ajudas de custo.

Em segundo lugar, a formação sobre as alterações de normativos já referidas só é dada por pessoas que aprovam as medidas tomadas pelo governo e que estiveram nos grupos de estudo que as ajudaram a implementar. Ou seja, estreita-se o campo de recrutamento de formadores aos que apoiam os novos normativos.

Em terceiro lugar, como a regra que impõe que 50% da formação tem de ser formação específica, pode ser um escape ao esquema de centrar a formação nas novas políticas educativas, abrem-se exceções a esta regra, permitindo a título excecional que a formação não específica naqueles temas possa ser considerada específica.

A formação exigida aos professores para progressão na carreira deixou de estar ao livre arbítrio das necessidades sentidas por cada professor tendo em vista colmatar as lacunas por si detetadas, antes passou a ser mais um instrumento da política educativa para se condicionar o ensino que os governos pretendem. Estamos longe do conceito de autonomia das escolas e do reconhecimento do professor como um ser reflexivo. O novo paradigma é o professor ser um mero transmissor do que o governo decide, isto em contradição com o que se defende para os alunos, que não sejam recetores de conhecimento, mas analistas e criativos.

Concluindo, a autonomia é cada vez mais um «soudbite» sem qualquer relação com a realidade. Assiste-se é a cada vez mais à consolidação de um poder educativo centralizado no ministério da educação que pretende criar executantes.

Setembro 02, 2019

A avaliação de professores: um estudo de caso.

vai-teaosprofessores

O processo de avaliação docente.

Passou um mês após o processo de avaliação docente respeitante a 2018/19 estar concluído, pelo que é altura de se fazer um balanço baseado na minha experiência pessoal.

Com o fim do congelamento e com a reposição (injusta) dos 2 anos e 9 meses quase 2/3 da escola foi sujeita a avaliação.

A prioridade para acesso aos MB e E foi dada aos professores em vias de transitar para os escalões com barreiras (5º e 7º) foi uma opção correta. Mas realço que não foi uma opção absoluta, ficando de fora alguns casos com pouco empenho para com a escola.

Depois foram premiados os professores com cargos e que os desempenharam com rigor e empenho, mas aqui noto que enquanto para os coordenadores há um universo próprio e portanto há quotas, os elementos da direção, tendem a ficar todos premiados, à custa do universo geral. Assim, é necessário haver também um universo para este grupo, como há para os coordenadores.

Poucas vagas sobraram para os professores sem trabalho de coordenação e ligados à direção, mas com muita dedicação à escola, bastantes vezes com sacrifício familiar.

Depois começam as injustiças, como selecionar entre professores com trabalho meritório os que ficam na conta dos 25% com direito a mais do que bom? Tenho plena consciência que as injustiças levam aos desânimos, como alguns colegas desabafaram comigo e me disseram que para o futuro não se iriam empenhar mais, mas fazer o mínimo, pois façam pouco ou muito só têm o Bom.

Este é o perigo do atual sistema, provoca desmotivação e desânimo para quem cumpre, dedicando algumas semanas mais do que 60 horas à escola e não têm quota. Este processo de avaliação ao decretar que somente um em cada quatro professores pode ver reconhecido o seu trabalho corre o risco de criar somente esta percentagem de professores empenhados. Premiar o mérito de forma a desmotivar quase tantos professores como os premiados é prestar um mau serviço à escola, pois uma escola de qualidade não poderá ter somente 25% do seu corpo docente motivado. Nem tão pouco 50%, senão não tem qualidade.

Concluindo o atual sistema de avaliação de professores pode e está a criar desmotivação no corpo docente das escolas. Isto não se sentiu no passado com a carreira congelada, mas agora ficou claro que esta forma de avaliação a prazo pode diminuir a qualidade média das escolas à medida que os professores não virem o seu esforço reconhecido e isto pode acontecer com 75% dos professores.

Julho 22, 2019

As propostas do Arlindo: comentários e contrapropostas

vai-teaosprofessores

Estive à espera do conjunto de propostas para as poder comentar e ter uma visão holística. Antes de mais, obrigado por proporcionares este debate, Arlindo. Relembro que desempenho funções de coordenador de departamento, para justificar as minhas propostas alternativas em face da minha experiência.

Começo pela última, sobre a gestão, em que os professores elegem os coordenadores de departamento e estes o diretor, que acho uma via possível. Outra via é os professores elegerem os coordenadores de departamento e o diretor ser eleito no Conselho Geral, mas com legitimidades próprias e independentes. Eu prefiro a eleição direta quer de coordenadores quer do diretivo (colegial). O importante é haver eleições e concordo com a independência entre direção e coordenadores de departamento. Também acho que o presidente do CP deve ser eleito entre os coordenadores de departamento.

Depois a carreira docente teria segundo a proposta 5 escalões entre os índices 200 e 300, portanto havendo uma redução entre o início e topo da carreira de 2,2 para 1,5. Esta proposta é favorável aos professores em início de carreira e desfavorável aos do fim da carreira. A valorização das funções de direção com índices à parte não me parece feliz porque desvaloriza a função essencial do professor que é ensinar, além de valorizar a gestão. Rejeito-a pois não me escandaliza haver um diretor a ganhar o mesmo que um excelente professor na sua relação com os alunos. Além disso, ignora que muitos professores passam uma dezena de anos na pré-carreira. Depois a carreira seria de 40 anos quando por volta dos 30 se deveria atingir o topo. Portanto, os escalões deveriam ser de 5 anos no máximo. Haveria um índice de 180 para a pré carreira, em que o docente faria o período probatório. Depois os escalões seriam de 5 anos, entre os 200 e os 370 para todos. Contudo, aceito que os coordenadores de departamento e elementos da direção, receberiam pelos 340 enquanto estivessem em funções, se não tivessem atingido esse nível, com o presidente do diretivo nos 370.

Quanto à avaliação, a ideia principal é não se centrar no relatório de autoavaliação, pelo que a elaboração de um trabalho defendido perante um júri parece-me aceitável.

Concluindo, corrijo algumas das propostas do Arlindo, realçando a necessidade de democracia direta nas escolas, extensível aos alunos do secundário, que é uma forma de se combatera abstenção nas eleições que se realizam no país. A segunda ideia forte é discordar que a gestão é mais importante do que ser bom professor, que indiretamente está implícita na proposta do Arlindo.

Julho 15, 2019

Os magistrados, os médicos e os professores

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Recentemente a Assembleia da República aprovou a possibilidade de o vencimento dos juízes ultrapassarem o vencimento do Primeiro Ministro. A explicação para esta medida é os juízes serem titulares de órgãos de soberania.

Em primeiro lugar acho que os detentores de cargos políticos deviam ter os salários mais altos. Mas o que mais me preocupa é aparentemente não haver aqui uma política de quadros do Estado e tomarem-se medidas avulsas. Antes havia o conceito de corpos especiais que teriam uma remuneração condigna e estes corpos, entre outros, englobavam os magistrados, os médicos / enfermeiros e os professores. Depois com os problemas financeiros os vencimentos sofreram cortes diretos e indiretos devido ao aumento da tributação.

Na fase de reposição de direitos em que continua a haver rateio da disponibilidade financeira, que o crescimento e a diminuição dos juros da dívida vão disponibilizando, os corpos especiais mais numerosos têm mais dificuldade em repor o que já tiveram. Lembrando que neste rateio o acudir ao sistema financeiro é uma primeira prioridade absoluta, aparece agora como outra prioridade os magistrados judiciais (juízes e procuradores). No caso destes últimos serão beneficiados os do topo da carreira mas também os mais novos que vêm encurtados de 10 para 2 anos o acesso a um vencimento bastante acima de médicos e professores.

Acredito que poderá estar na base desta decisão o número pequeno de magistrados que beneficiam desta reposição e reforma da carreira, portanto tem subjacente uma lógica financeira. Mas, altera-se a política anterior de haver uma preocupação em ter remunerações condignas também para médicos e professores, na medida em que se reconhecia o seu estatuto de corpos especiais. Este estatuto estava ligado ao reconhecimento da saúde e educação como variáveis estratégicas da nossa sociedade. Logo com o descolar dos magistrados, a saúde e a educação aparecem secundarizadas.

Concluindo, paulatinamente as restrições financeiras estão a pôr em causa um consenso da sociedade, em que os tribunais, o sistema de saúde público e as escolas eram considerados fatores chave para a existência de desenvolvimento económico e não mero crescimento. Falta saber se é um dano colateral das restrições financeiras ou se é uma política deliberada. Os profissionais de saúde e educação ao serem deixados para trás significa que as prioridades da sociedade estão a mudar. Com a desculpa dos problemas financeiros o Estado liberal – assente na trilogia polícia, exército e tribunais – vai-se impondo e o Estado social, em que a educação e a saúde são essenciais, vai perdendo gás e os seus profissionais vão sendo desvalorizados na hierarquia das remunerações.

Julho 09, 2019

Estudos provam que o elevador social funciona com deficiências na escola pública.

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Um estudo analisa os resultados obtidos a partir de dados relativos aos alunos que no ano letivo de 2011/2012 frequentavam o 6.º e 9.º anos em escolas públicas, como explica ao EDULOG um dos seus autores, Luís Nunes, investigador da Nova School of Business and Economics, Universidade Nova de Lisboa.

 Olhando para a dimensão da turma, mas também para a sua composição – através de indicadores relacionados com os alunos, como a idade, o sexo, o escalão de apoios sociais escolares, o acesso a Internet em casa - “o efeito do tamanho da turma não é significativo, enquanto os outros fatores que têm a ver com a própria composição da turma acabam por ter mais influência relativamente ao seu tamanho”.

Nos últimos dias, foi-nos também apresentado pelo Jornal Público um estudo feito pela Edulog, Fundação Belmiro de Azevedo,  que vem reiterar que a escola como elevador social apresenta deficiências.

Segundo o estudo, o nosso sistema de ensino reproduz desigualdades económicas e sociais, ou seja, quem é pobre terá menos oportunidades com o atual sistema de ensino, quem rico é, terá mais hipótese de acesso aos cursos superiores mais procurados e com maiores médias. Por exemplo 70% dos estudantes de medicina são filhos de pais com formação universitária e somente 8% têm bolsa de estudo.

Estes estudos mostram-nos que a igualdade de oportunidades começa na formação de turmas e quanto mais homogéneas forem em termos de realidade social melhores podem ser os resultados, mas mais se reproduz a sociedade ficando os pobres sem hipótese de ascensão social. Esta é a estratégia dos privados (também de algumas públicas nos centros urbanos), fazem turmas homogêneas, selecionando alunos.

Estes resultados sobressaem depois no ensino superior em que os melhores alunos vão para os cursos como medicina, algumas engenharias e arquitetura. Os alunos das classes mais pobres tem tendência a ir para os politécnicos, segundo o estudo divulgado pelo jornal Público.

Concluindo, estamos pois a reproduzir a sociedade e não a alterar a estrutura social através da educação.

Julho 02, 2019

As reformas necessárias do ensino básico e secundário em Portugal

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A principal reforma a fazer em Portugal seria mudar a gestão das escolas, deixar o modelo gerencialista (gerir a escola como uma empresa) e voltar à gestão democrática, com eleição direta de uma direção (não diretores) com base em listas, com eleição de alunos para certos órgãos, como garantir a presença no Pedagógico de 2 alunos do secundário quando se discutir a forma de avaliação e a aprovação das atividades extracurriculares a desenvolver, o atual PAA. A existência de uma Assembleia de Escola, com participação da comunidade, seria um órgão que definiria as opções estratégicas e fiscalizador, com poderes para convocar novas eleições. É na escola que se combate o absentismo eleitoral criando hábitos de participação cívica.

A segunda reforma a fazer seria diminuir a carga burocrática que recai sobre os professores, através de um simplex administrativo e com recurso a plataformas informáticas. A definição clara de serviço letivo e não letivo também se impõe.

Aceito a visão do perfil do aluno com as diversas competências elencadas, mas resolvendo a contradição com o acesso ao ensino superior, isto é, passando o acesso ao ensino superior para as universidades. Sem este passo, a lógica de avaliar competências diversificadas é subalternizada pela avaliação de conhecimentos nos exames, que são limitados a certas áreas.

No ensino profissional preconizo mais formação em contexto de trabalho e menos conteúdos de formação geral. Garantir a abertura de cursos só quando há instalações adequadas ao curso ministrado e recursos informáticos mínimos.

Caminhar para um ensino personalizado, não é reduzir o grau de exigência, mas criar condições para que o aluno tenha sucesso com mais tempo de ensino e mais oportunidades de recuperação com base no esforço do aluno, quando necessário. Menos alunos por professor é uma medida a acelerar, quer reduzindo os alunos por turma, quer implementando mais coadjuvações, que hoje se reduzem a uma média de uma em cada 15 dias. Estas deviam ser semanais para metade das horas letivas. A possibilidade de haver recuperações de conteúdos / grupos depois dos testes é também um caminho, para se evitar o desinteresse do aluno por conteúdos específicos em que teve fraco desempenho. Assim, o teste funcionaria também como avaliação formativa, além da sumativa, permitindo identificar e recuperar conteúdos apreendidos de forma insuficiente pelo aluno, através da substituição da nota do grupo pela da questão de aula a realizar à posteriori. O essencial é não haver medidas que baixem a exigência, mas que permitam novas oportunidades de recuperar conhecimentos aos alunos.

Há reformas que exigem recursos financeiros, mas outras há que dependem somente da vontade política. Quanto aos recursos financeiros, a tendência para a redução de alunos, via redução da natalidade, abre portas a uma libertação de recursos que podem ir sendo canalizados para algumas das reformas aqui preconizadas.

Há também uma reforma de mentalidades dos governantes, não verem o ensino como despesa, antes como investimento e valorizarem os professores como elementos centrais desse investimento conseguir os resultados esperados. Há também a necessidade de acabar com a promoção de reformas sem serem devidamente avaliadas, isto é, cada governante chega com as suas ideias e implementa-as sem avaliar se o que estava funcionava. O querer «deixar marca» leva à instabilidade sistémica e pode acabar com o que estava a dar resultados.

Junho 25, 2019

Uma reforma do Ensino Profissional

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Para se pensar numa reforma do ensino profissional é preciso em primeiro lugar identificar o que está menos bem.

Em primeiro lugar há no ensino profissional mais indisciplina na sala de aula e muito mais absentismo, que se agrava quando os alunos constatam que não há consequências de muitos dos seus comportamentos. Na indisciplina conheço situações em que os alunos rejubilam com os dias de suspensão. O absentismo não é devidamente tratado, com muitos professores a não mandarem repor as faltas não justificadas na escola. Soluções para a indisciplina: tornar efetiva a possibilidade de realização de serviço cívico na escola. As direções têm dificuldade em castigar alunos mal comportados com trabalho cívico como limpar jardins. Se os alunos com 16 anos já são criminalmente imputáveis, não percebo a resistência social para se aplicar estas penas para a indisciplina, em vez das suspensões. Para o absentismo: falta injustificada é equivalente a igual período na escola, ou seja, o preço sombra de uma falta injustificada é uma hora obrigatória na escola, a passar a matéria dada. O regulamento interno permite-me que o faça e tenho notado a diminuição do absentismo depois da aplicação desta forma de recuperação de faltas. As soluções passam por alterações no estatuto do aluno no sentido do que foi proposto, bem como em regulamentos internos.

Depois, os alunos dos cursos profissionais têm aulas de manhã e de tarde todos os dias. Têm horários bastante preenchidos com aulas. Preconizo uma reforma dos currículos em que se diminuiria os tempos letivos a favor de mais formação em contexto de trabalho, FCT, (têm 140 horas de FCT no 10º e 11º anos e deviam passar pelo menos para o dobro).

A maior parte das aulas são dadas em salas de aulas normais, sem recursos tecnológicos, nomeadamente computadores, que possibilitasse um ensino diferente da aula expositiva com a avaliação por testes. Devia ser obrigatório os cursos profissionais só serem abertos se a escola tivesse condições tecnológicas para ministrar os cursos, nomeadamente terem pelo menos uma sala com computadores, com um computadores para cada 2 alunos, pelo menos, por turma. Em cursos mais especializados deviam também ter salas que permitissem ao aluno a prática simulada de certas atividades, como uma oficina para os de mecânica, uma sala com uma cama de hospital e um boneco para os de auxiliares de saúde, etc.

Estes elementos interligam-se, pois menos tempo em sala de aula e com aulas mais práticas, bem como ensino com tecnologia adequada, deverá diminuir o absentismo e a indisciplina.

Concluindo, o ensino profissional precisa de ser reformado: na abertura de cursos dever-se-ia exigir certas condições, como uma sala informatizada e salas apetrechadas com materiais onde pudessem praticar a profissão em que se estão a formar. O rigor com a indisciplina e com o absentismo deveria ser um desiderato de toda a sociedade a começar pela escola. A prática em estágio devia ser contemplada com mais horas.

Junho 17, 2019

A escola e o elevador social

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O SE Costa veio recentemente falar da escola como «elevador social», referindo a este propósito o papel do 54/18, como elemento integrador e que garante oportunidades aos mais desfavorecidos, ao garantir o sucesso a todos os alunos, através das chamadas medidas universais.

Por outro lado, um jornal explicava que «a indisciplina nas salas de aulas está a prejudicar o ensino e é um dos motivos pelos quais cada vez mais pais procuram explicadores para os filhos mais cedo, logo no 1.º Ciclo. A ansiedade e a pressão pelas boas notas justificam que já não se vendam apenas aulas particulares de Matemática, mas também para as línguas, as Ciências e, até, o Português».

Estas duas lógicas são contraditórias, ou o elevador social só funciona com as medidas universais, isto é, adapta a avaliação ao aluno, se o aluno não teve sucesso com o nível normal de exigência, reduz-se o mesmo; ou funciona com mais esforço, com mais repetições, nas explicações.

O SE Costa acredita na solução da escola se adaptar ao aluno, enquanto os pais, conhecendo a vida, optam pela segunda, o aluno é que tem de estar preparado para o nível normal de exigência.

Por outo lado sabemos que quando se diminui o grau de exigência, o que acontece é a desvalorização social do ensino. Por exemplo, hoje, muitas licenciaturas são desvalorizadas socialmente, porque os alunos saem das faculdades impreparados, pelo que de seguida se passa a exigir o mestrado. Quando o ensino facilita, exige-se o grau seguinte. Mais uma vez a lógica social, resolve o problema dos facilitismos, desqualificando-os.

Concluindo, estamos perante dois modelos para se ter sucesso, ou se baixa o nível de exigência, as chamadas medidas universais, no modelo do governo, ou suprime-se a falta de exigência da escola, com as explicações, a escolha dos pais da classe média. Os pais ainda acreditam na escola pública, mas cada vez mais complementam-na com as explicações.

O elevador social é para os pais o sucesso com exigência e quando a escola não o garante procuram-no no privado, a tempo inteiro, nos colégios, ou parcialmente nas explicações. Mas este modelo não está ao alcance dos mais pobres por não ser gratuito. O que a escola pode fazer é reduzir as turmas, aumentar a coadjuvância, reforçar as horas nos anos de exame recorrendo ao crédito horário, etc. (tem-no feito timidamente devido às restrições financeiras), nunca reduzir a exigência.

Fazendo-o, será que caminhamos para uma escola pública das medidas universais e para os mais pobres, havendo ao lado uma escola privada para os mais ricos, mesmo que por enquanto esta escola privada seja só a das explicações?

As duas velocidades no ensino, ou seja níveis diferentes de exigência na avaliação (conceito usado na europa para níveis diferentes de integração económica), significam descriminação e limitação da escola, em termos de elevador social, para quem usufrui das medidas universais. Os pais da classe média têm claramente esta perceção e recorrem às explicações para a contornar.

Junho 13, 2019

A gestão das escolas e a abstenção eleitoral

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Quando se fala em acidentes rodoviários alguém vem dizer que a escola é o lugar ideal para se construir condutores com respeito pelos outros.

Quando se fala da obesidade alguém vem a correr dizer que a alimentação racional e o desporto devem ser implementados nas escolas.

Podia continuar a falar de temas onde se constata que na sociedade há pessoas com comportamentos incorretos social ou cientificamente, que alguém remete para a escola como um processo de longo prazo para resolver tais comportamentos.

Mas houve um tema que não foi remetido para a escola: a elevadíssima abstenção eleitoral. Dois estudantes universitários entrevistados na TVI na segunda-feira pós eleitoral, foram questionados sobre este tema e referiram que a escola não os preparou para o dever cívico de votarem, mesmo quando falaram de educação cívica. Mas para mim o mais estranho foi os entrevistadores (Pedro Pinto e MST) não lhes terem perguntado se era habitual no percurso escolar participarem na vida da escola! Particularmente MST que tem opiniões sobre a educação não questionou se a escola os fazia participar na condução dos destinos da organização.

Esta falta de acutilância profissional deriva a meu ver de uma «cegueira» ideológica: não quererem admitir que o gerencialismo (gerir a escola na lógica empresarial) na gestão das escolas em vigor, que se contrapôs a uma gestão democrática em que todos participavam na mesma, afastou muitos stochholders da gestão, aos professores foi limitado o poder e os alunos foram totalmente afastados da gestão, até nos órgãos consultivos.

O que podia ser uma prática que incentivasse os alunos a participarem na gestão dos problemas escolares e portanto, lhes criasse hábitos de participação na vida escolar, que depois seriam uma mais-valia para participarem na vida cívica, foi arredada da escola pelo centro e pela direita com o tipo de gestão em vigor.

 Nem os jornalistas fizeram a pergunta que se impunha, nem o ministro da educação (ele gosta mais do desporto e foge quando há problemas na educação como a recuperação do tempo de serviço dos professores) que apareceu a comentar a situação não teve coragem de se referir à necessidade de se questionar a atual lei da gestão das escolas.

Concluindo a escola serve para resolver todos os problemas, quando surgem situações anormais, rapidamente alguém vem referir que a escola resolve, permitindo dizer que se atuou, mas os resultados virão só muito depois. Estranhamente, ou não, na questão da abstenção eleitoral, que é dramática, e que a escola poderá ajudar a resolver, alterando-se a lei da gestão, com participação mais efetiva dos alunos, parece que ninguém quer pôr a escola a contribuir para a resolução deste problema (!), pois, não lhes convém que se discuta se a escolha pela gestão empresarial das escolas foi a opção mais correta.