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CONTRAOFACILITISMO

Blog para debater ideias que recusem o facilitismo em educação.

CONTRAOFACILITISMO

Blog para debater ideias que recusem o facilitismo em educação.

Maio 28, 2010

A questão dos outros critérios.

vai-teaosprofessores

O que são os outros critérios?

São critérios usados além da avaliação de conhecimentos para atribuir a classificação ao aluno. Estes outros critérios englobam o comportamento, a assiduidade, participação, por exemplo.

Fazem sentido a sua existência? Na minha opinião, fazem sentido, porque com eles avalia-se a socialização do aluno, ou seja, se o seu comportamento está adequado às regras predominantes na sociedade. A escola deve socializar os alunos e estes devem ser avaliados em termos de socialização.

O problema com os outros critérios é o peso excessivo que algumas escolas dão aos outros critérios, que é uma forma de se introduzir o facilitismo e promover a passagem dos alunos. Por exemplo, com 60% para a parte do conhecimento e 40% para os outros critérios, um aluno razoavelmente comportado, acaba por poder passar com nota de 10, com somente 8 valores na parte de avaliação de conhecimentos (8*0,6+12*0,4=9,6), estando na prática a baixar-se o nível de exigência das matérias leccionadas. Isto tem como consequência que o aluno que queira fazer o mínimo, só trabalha para ter um 8 nos testes. Portanto a mensagem que passamos é: não te esforces muito que passas na mesma, o que cria problemas acrescidos de motivação para o aluno trabalhar. Se o aluno fôr indisciplinado estão é penalizado nos outros critérios e pode mesmo ter negativa com um dez nos testes, o que mostra que este é um instrumento poderoso no combate à indisciplina nas escolas.

Por outro lado, a minha prática lectiva na aplicação desta proporção (60/40) mostra que os piores alunos em adquirir conhecimentos e um comportamento razoável têm classificações finais superiores em 1 ou 2 valores, enquanto os bons alunos não beneficiam nada na nota final, com os outros critérios, porque um 17 na média da avaliação de conhecimentos dificilmente subirá para dezoito.

Em face desta reflexão acho que o máximo que os outros critérios deviam ter de peso seriam 20% para o 3º ciclo e cursos profissionais e 10% para o prosseguimento de estudos, e aceito os vinte 20% por causa do reconhecimento que fiz da sua importância como factor disciplinador, pelo que em certas turmas o seu uso como factor disciplinador pode ser um instrumento relevante que aumenta a autoridade do professor.

Maio 11, 2010

As provas de aferição

vai-teaosprofessores

Como sabem, se os postes anteriores foram lidos, a minha cruzada foi contra o facilitismo e empolamento artificial das estatísticas, de que a anterior ministra foi o expoente máximo. Todos sabemos que a estrutura montada pela dita no ministério ainda mantém algumas pessoas, que a actual equipa não quis ou não pode afastar.

Vem isto a propósito das provas de aferição deste ano terem perguntas muito simples correspondente a competências do ciclo anterior. Eram poucas e podem ter justificação numa estrutura de prova que até aos 50% questione o básico e daí para cima vá tendo questões mais complexas, podendo haver mesmo 10% de questões difíceis. Ou podem traduzir a continuação de especialistas em trabalhar para melhorar as estatísticas educativas.

Inclino-me mais para a 2ª hipótese, porque algumas questões versam sobre competências básicas, mas do ciclo anterior o que mostra uma vontade de facilitar e melhorar os resultados e não aferir as matérias que deviam ter sido leccionadas. Este facilitismo leva os próprios professores a descurar as competências que deviam trabalhar e a rever matéria anterior, portanto não são um bom sinal para o sistema educativo e para analisar o trabalho dos professores nas competências do ciclo.

Não me vou pronunciar sobre as questões mais complexas, se as havia ou não, porque não trabalho com aquelas faixas etárias, mas que lá deviam estar deviam sob pena de se atribuir um 4 ou 5 a alunos que não tiveram avaliação ajustada e adequada a estas classificações.

Para facilitar institua-se um regime em que basta o aluno ir às aulas para garantir a sua progressão, valendo este item 50% da avaliação, como algumas escolas fazem e desta maneira garante-se a passagem de uma grande percentagem. Este não é o meu paradigma educativo, aposto no rigor, numa avaliação que pergunte o básico até à positiva e a partir daí vá sendo cada vez mais complexa.