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CONTRAOFACILITISMO

Blog para debater ideias que recusem o facilitismo em educação.

CONTRAOFACILITISMO

Blog para debater ideias que recusem o facilitismo em educação.

Novembro 17, 2010

O não facilitismo compensa: o meu caso pessoal

vai-teaosprofessores

A minha escola produziu um relatório analisando os resultados dos exames nacionais dos alunos internos. Tenho sido o professor da disciplina de Economia A alternando com uma colega, uma vez que só tem existido uma turma. Os resultados obtidos, principalmente nos dois últimos anos, têm estado acima da média nacional, resultados que poucos professores se podem gabar nesta Escola.

Não estou aqui para me auto elogiar, mas para tentar perceber a que se devem tais resultados.

Em primeiro lugar, fruto da minha efectivação nesta escola tenho podido acompanhar os alunos nos anos em que têm economia, o que antes não acontecia, o que permite um trabalho mais aprofundado e mais prolongado no tempo.

Depois, em segundo lugar, tendo conhecimento da teoria das expectativas na economia, aplico-as criando expectativas de que a disciplina é difícil, de que é preciso trabalhar e quem não trabalha não tem resultados, ou seja não passa. Ainda o ano passado reprovaram 3 alunos e um passou com nota votada e esse aluno tirou no primeiro teste deste ano nota muito baixa, ou seja convenceu-se que não era preciso trabalhar e mesmo assim é recompensado, expectativa esta que procuro combater e anular, mas não estou sózinho no CT...

Em terceiro lugar, e como complemento da segunda faço testes exigentes, em relação aos exames nacionais, ainda que dentro do que foi dado, e testes equilibrados, com questões mais acessíveis até ao 10/12 e depois perguntas de grau de dedificuldade superior. Não faço testes para ter bons resultados e todos passarem, ou testes iguais ou parcidos a uma ficha de trabalho dada alguns dias antes...

Em 4º lugar procuro que os alunos trabalhem mas montivando-os, deixando-os a ouvir música na fase da aula de resolução de exercício ou deixando-os sair para comer, pois uma barriga vazia é inimiga da concentração.

Em 5º lugar uso os outros critérios de avaliação para penalizar a nota obtida nos testes quando há falta de empenho e comportamentos pouco adequados.

Estes são os motivos do meu sucesso que convosco quero partilhar, ainda que creia que o mais importante é a gestão das expectativas. Vão no sentido da exigência, que compensa, e longe do facilitismo e das teorias educacionais que nos manda não traumatizar os alunos com reprovações, que é o mesmo que promover a medíocridade, a falta de empenho e o estar na aula por estar.

Novembro 10, 2010

Os critérios de avaliação de alunos e as suas expectativas

vai-teaosprofessores

Às vezes os blogs servem para fazermos uma catarse em relação a certas situações, a que trago aqui diz respeito à avaliação de alunos numa turma de profissionais, com 60% para testes e 40% para outros critérios. A disciplina que dou é uma disciplina de cálculo e portanto com notas boas e péssimas. O meu espanto foi haver alunos com 3, 4, 5 e 6 que se achavam no direito de passar, porque os «outros critérios são para compensar as notas dos testes». Além disso fui pressionado até à exaustão por um aluno com 7 valores para o passar, com base no argumento que outros 7 passaram.

Estas situações dizem muito sobre as expectativas que os alunos têm do ensino e se o vêem como facilitista não há incentivo para estudarem, ao ponto de revindicarem passar com notas baixíssimas.

Não concordando com a atribuição de percentagens superiores a 10% para os outros critérios, tenho a obrigação de aplicar o decidido pela direcção e CP, mas claro os outros critérios são aplicados não só a favor dos alunos mas também contra quando o civismo, empenho e comportamento do aluno é provocatório e com pouco respeito pelos colegas e professores, como foi o caso do aluno que me pressionou, tendo inclusivamente recebido uma ordem de saída da sala de aula. Depois esses alunos na hora da avaliação não assumem a sua responsabilidade, e como a escola serve de preparação para a vida, temos de os responsabilizar e é o que eu faço não me demitindo desta minha responsabilidade de avaliar com justeza, dentro dos parâmetros que me são estabelecidos, e que tento todos os anos melhorar.