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CONTRAOFACILITISMO

Blog para debater ideias que recusem o facilitismo em educação.

CONTRAOFACILITISMO

Blog para debater ideias que recusem o facilitismo em educação.

Outubro 25, 2012

Um caso pessoal - menor qualidade do ensino imposta pelo MEC

vai-teaosprofessores

No presente ano letivo consta do meu horário duas horas para PAP no curso de Energias Renováveis. Os alunos começam a defenir os seus projetos de monografia/trabalho prático de final de curso a defender em julho. A grande maioria vai optar por fazer uma PAP prática, o que me parece correto.

Mas é aqui que surge o busílis da questão, não tenho formação científica para orientar uma PAP prática na área das energias renováveis, por ser economista. A outra colega que orienta as PAP é de Físico-Quimica e está nas mesmas condições. Então, porque estou(mos) a orientar PAP, que é uma irracionalidade?

Porque o MEC decidiu que os professores com redução de horário ao abrigo do artigo 79, teriam prioridade no preenchimento das horas de PAP e NAFT, entre outras, logo calhou-me duas horas de PAP. Com isto reduziu-se custos à custa de uma menor qualidade do acompanhamento das PAP, com preenchimento de horários, em tempos não letivos, com horas que deviam ser letivas e nas pessoas não certificadas cientificamente para o efeito.

Senhor ministro aqui não havia gorduras do Estado...

Outubro 18, 2012

A educação aparece como alvo de mais cortes

vai-teaosprofessores

Sobre a educação as notícias não são boas, esta área aparece como passível de mais cortes na reformulação das funções do Estado. Ora, para (2012/)2013 haverá na educação um corte de professores contratados significativo, que aliás se vai traduzir numa redução da despesa em dois dígitos (cerca de 11%). A única boa notícia é a vinculação de alguns contratados com bastantes anos de serviço, com base, consta-se, no conceito de quadros de zona pedagógica, para que este concurso não colida com o concurso quadrienal de colocação de professores, onde os colocados nestes quadros teriam de se candidatar também para obterem a escola onde exercer. Os encargos com salários neste ministério já foi reduzido  em cerca 20%, descendo dos 80% para os 60%, com base na redução de pessoal e com base na manutenção do salário nominal (congelamento), o que se traduz na redução dos salários reais pelo valor da inflação verificada em cada ano (é o chamado imposto inflacionário).

Mas tudo isto numa altura em que aumenta a escolaridade obrigatória, o que devia levar a um aumento dos gastos, pois mais alunos permanecem no sistema, nomeadamente os das famílias carenciadas. Mas escolaridade obrigatória parece que não significa sensiblidade social, com a recusa de almoço (não de alimentação, leia-se lanche reforçado) a quem tem dificuldades. Ou seja, por um lado, o Estado impõe a permanência dos alunos no sistema até ao 12º ano, mas por outro lado, não ajuda as famílias a assegurar este desiderato, pois só lhe interessa a redução da despesa pública...

Por fim uma palavra sobre os rankings, estes passam a fazer algum sentido quando ponderados pelo ambiente sócio-económico de cada escola. Por outro lado, a comparação entre público e privado subsidiado pelo Estado, isto é privado que não pode fazer a seleção de alunos, mostra que não há grandes diferenças de resultados, aliás acontecendo mesmo que aparecem escolas públicas melhor que as privadas em alguns concelhos, por exemplo em Barcelos o colégio La Salle aparece depois de duas escolas públicas. A diferença entre escolas públicas e privadas reside pois no estrato social mais homogénio e elevado destas últimas e na seleção de alunos, que algumas públicas também tentam fazer...Por outro lado não faz sentido identificar as escolas com piores resultados e isto não se traduzir em meios para se ir solucionanado o problema, antes pelo contrário dá-se mais crédito de horas às escolas melhor avaliadas.

 

Outubro 04, 2012

A batalha contra o facilitismo continua

vai-teaosprofessores

A batalha contra o facilitismo continua, agora com matéria a avaliar nos exames acrescida, com a inclusão da lecionada no 10º e 11º. Acho mal esta medida não ser aplicada só para os alunos que frequentam o atual 10º ano para saberem o que contar. Não sou a favor de alteração das regras a meio do jogo. Além disso, esta não será uma medida tomada para melhorar o rigor das avaliações, mas talvez para diminuir os acessos às universidades, pensando na vertente de redução de custos associada à redução de alunos no ensino superior e a ser assim, não posso deixar de dela discordar, por ser um passo a favor do regresso do elitismo às academias (se o ensino universitário voltar a ser elitista justifica-se o uso das capas e batinas para se diferenciar os doutores dos outros).

A bem da verdade, devo dizer que este ano tenho turmas mais pequenas devido à divisão das turmas em certas disciplinas, mas a verdade é que há colegas a dar aulas para 28 alunos, o que deve ser um enorme desafio. Portanto se houve redução de horários com a nova estrutura curricular e aumento de alunos por turma, o desemprego nos professores não foi pior devido ao desdobramento das turmas em algumas disciplinas. Diz-se que foi um recuo depois de se conhecerem os primeiros números de professores com horários zero...

O que se está a passar com as contratações e com os artifícios das escolas para escolherem os amigos é facilitismo e representa um paradoxo do atual ministro, que por um lado intoduz mais exames e portanto tenta avaliar o mérito por uma bitola comum, mas por outro lado, cria bitolas diferenciadas para a contratação de professores. Aqui há uma cedência ao pior do facilitismo, o compadrio.

Já agora também é compradio a escolha dos professores dos filhos por elementos das direções das escolas.