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CONTRAOFACILITISMO

Blog para debater ideias que recusem o facilitismo em educação.

CONTRAOFACILITISMO

Blog para debater ideias que recusem o facilitismo em educação.

Novembro 25, 2014

A propósito da municipalização da educação

vai-teaosprofessores

A autonomia prometida foi tímida e condicionada pelo centralismo de Lisboa, pelo que poucas escolas aderiram a este processo, constatando que ainda continuavam tuteladas pela 5 de outubro.

Eis então que os do poder central, falhada a sua primeira tentativa de implodir os serviços centrais e depois dos escândalos da colocação de professores ensaiam outra saída, a municipalização do ensino. Se a nova via é a substituição da 5 de outubro pelos paços do concelho, muda-se simplesmente de controlador e a educação pode agravar o risco de ficar captada pela clientela partidária, mas agora a nível local e com esperança de redução de custos, mas todos sabemos que ao nível da contratação de professores se agudiza a injustiça, com mais contratações que fogem à atual graduação profissional.

Mas, há uma hipótese de se criar um outro paradigma os conselhos educacionais municipais como forma de gerir esta descentralização, em que intervenham no mesmo, sem predomínio de nenhum, o poder local, o poder central, os professores, os encarregados de educação e outras forças vivas do concelho, em substituição dos atuais concelhos gerais, que passavam a gerir todas as escolas de um território educativo, que pode ou não ser concelhio.

Se for este o caminho não me escandalizaria a municipalização do ensino, mas sem dependência direta do Presidente da Câmara.

Novembro 18, 2014

O (gato) branco, Administração Interna, o (gato) preto, Educação

vai-teaosprofessores

Neste post vamos cotejar a atitude do Ministro da Educação com a do Ministro da Administração Interna. Esta comparação é feita no plano político, com ambos os ministro a falharem politicamente num dos aspetos essenciais dos seus ministérios, um por ter relações com altos quadros acusados de corrupção, o da Administração, outro, por ter falhado na abertura do ano letivo, prejudicando professores e alunos, o da Educação.

Só que enquanto um tomou a atitude correta, ao perceber que se encontrava fragilizado e com perda de autoridade num organismo que se pede que cumpra a lei e parece que cumpre a lei, como objetivo prioritário do ministério, o outro, falhou no seu também objetivo principal, o normal (arranque) funcionamento do ano letivo, voltando a acontecer o que já não acontecia há uma década. Este último ao perder credibilidade não teve a ombridade de se demitir, sendo que a atitude do primeiro é uma bofetada de luva branca neste último.

Claro que não comparo uma situação criminal com uma situação administrativa, ou seja, tecnicamente estamos perante situações diferentes, mas politicamente ambos puseram em causa um dos objetivos políticos essenciais das suas áreas.

Novembro 12, 2014

A contradição entre o lá fora e cá dentro

vai-teaosprofessores

A propósito da questão do falar português, nos recreios, por terras do Luxemburgo, apareceu o tema dos alunos filhos de emigrantes portugueses lá fora serem muitas vezes relegados para turmas de segunda nos cursos vocacionais. Esta análise está correta, pois os cursos vocacionais são muitas vezes usados como forma de retirar das estatísticas o insucesso escolar e de se proceder a discriminações étnicas, religiosas ou outras. Só um parêntesis, os cursos vocacionais ou profissionais, podem ser uma via alternativa válida para se valorizar os jovens, e como professor de cursos profissionais tenho bons alunos que escolhem esta via por opção, mas não sejamos ingénuos, para o poder esta opção também serve para melhorar as estatísticas do sucesso escolar, ao varrer para debaixo do tapete o insucesso, como me parece que é flagrante no vocacional básico, em que são só alunos repetentes que podem ir para esses cursos.

O que estranhei nestes comentários sobre os portugueses no estrangeiro foi os comentadores que sobre o assunto falaram ou escreveram não tenham olhado para dentro do país e reconhecido o papel que governantes e diretores de escola atribuem aos cursos vocacionais e profissionais, o de instrumento utilíssimo para melhorar o insucesso escolar e criar turmas de elite. Este salto qualitativo da razão sobre a emoção, as suas preferências políticas, não é dado. A capacidade de raciocinar é travada na barreira emocional.

Novembro 04, 2014

Mais um post sobre os Cursos vocacionais

vai-teaosprofessores

Este ano tenho de acompanhar um curso vocacional. Tendo eu pouca experiência do ensino básico constato que os alunos são alunos com problemas, não só de aproveitamento, por terem reprovado pelo menos 2 anos, mas também problemas de comportamento. Enquanto nas outras turmas os alunos com problemas de comportamento eram a exceção, nos vocacionais são a regra.

Estas turmas são como as turmas de repetentes, guetos educacionais, no sentido de separar o joio do trigo e procurar transformar o joio em trigo. Tenho a certeza de que este não é o melhor caminho, mas existe e o operacional, neste caso cada professor, tem de dar o seu melhor.

A situação destes alunos faz-me apontar para um caminho de apoio emocional para compensar a discriminação de que são alvo ao separá-los dos restantes alunos do básico. Mas, a balburdia na sala de aula, aponta para a necessidade de uma atitude disciplinadora, capaz de aprender regras sociaais e acima de tudo permitir um clima de trabalho na sala de aula.

Este é o dilema que se coloca ao professor numa primeira análise, contudo, à medida que se vão conhecendo os alunos constata-se que para uns a afetividade e a compreensão dão resultados, mas para outros, o que resulta é a atitude disciplinadora, o que transforma o dilema num biómio, ou seja, as duas são soluções, ainda que se tenha de personalizar.

Mas tem que se ter cuidado na avaliação de cada aluno, pois estes são alunos experientes e que lidaram no passado com ambas as soluções, assim, uns tentam maximizar o apoio que recebem, outros tentam chantagear o professor quando este segue a via disciplinadora. No primeiro caso, temos o discurso de um aluno que se diz hiperativo e que se diz incapaz de estar calado e procura a compreensão, mas quando castigado, consegue estar calado. No segundo caso, temos o discurso do aluno que diz que o ano transato já teve 10 faltas disciplinares e portanto é mais uma e já está imune.

Portanto, temos alunos com capacidade de se adaptar a ambas as soluções, o que faz com que a procura da solução ideal seja complexa e exija tempo.