Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

CONTRAOFACILITISMO

Blog para debater ideias que recusem o facilitismo em educação.

CONTRAOFACILITISMO

Blog para debater ideias que recusem o facilitismo em educação.

Janeiro 27, 2015

Fazer de professor bom pode ser facilitismo

vai-teaosprofessores

Na educação não há regras universais, porque nuns casos certas soluções funcionam noutras não.

Contudo, há professores que tomam sempre o comportamento de professor bonzinho, isto é, estão sempre dispostos a desculpar o comportamento aos alunos. Claro que em educação devemos dar segundas oportunidades, mas também não devemos perdoar sempre.

As escolas resolvem a necessidade de se encontrar pontos de equilíbrio com os regulamentos que uniformizam as situações, pois, também é importante encontrarem-se soluções que sejam justas para os vários casos, mesmo em termos relativos. É assim que, por exemplo, se estabelece que 3 faltas disciplinares implica suspensão do aluno por um dia.

Já não se aceita que face ao regulamentado os professores bonzinhos, procurem não o cumprir, já que estamos a dar sinais de permissividade e mesmo de facilitismo.

Até às faltas disciplinares estabelecidas, pode e deve-se entrar em linha de conta com cada situação particular dos alunos, mas a partir daí a norma é para se cumprir.

Janeiro 19, 2015

A questão da discrepância entre notas internas e avaliação externa

vai-teaosprofessores

O MEC publicou recentemente um site (infoescolas.mec.pt) que permite analisar a evolução dos alunos entre os 9º ano e 12º ano, bem como o desnivelamento entre as notas internas (CIF) e avaliação externa (exames). Esta situação é positiva e facilitadora do debate, ao permitir um debate mais objetivo, porque baseado em dados estatísticos, apesar de ser possível intrepretar de forma diferente os mesmos dados, mas pelo menos o debate desce da estratosfera para a atmosfera.

Este problema, das diferenças entre notas internas e externas, já tinha sido colocado por outros investigadoras. Com esta estatística permite-nos colocar hipóteses sobre o comportamento das escolas e estratégias para os alunos terem a entrada na faculdade assegurada: uma possível estratégia de muitas escolas, é inflacionar as notas internas para agarantir o acesso ao superior se algo correr mal no exame. De facto nesta situação aparecem muitos colégios, aparecendo pelo meio poucas escolas públicas, entre as 24 escolas assinaladas.

O interessante é a atitude do ministério que ameaçou ou vai concretizar o envio da Inspeção às ditas escolas, em vez de intervir com normas gerais para as classificações internas, como por exemplo impondo um teto ao peso dos outros critérios, que pode ser 20% ou menos, quando hoje se pratica situações que chegam aos 40%, com excepções para certos cursos (vocacionais) e educação física, que em parte já viu o problema resolvido com a exclusão desta disciplina da média do secundário. Mais uma vez este governo foge da regulação e parece acreditar na autoregulação, bastando para isso divulgar informação, o que tipico de uma atitude neoliberal que nada aprendeu com a história económica e suas crises. Por outro lado, não toma medidas contra o ensino privado.

 

Janeiro 13, 2015

Quando alguém se intitula senador numa escola

vai-teaosprofessores

Chegou ao meu conhecimento uma situação inacreditável e inaceitável passada numa escola.

Um professor, contratado, recém chegado a uma escola senta-se numa mesa da sala de professores. Passado algum tempo um colega aborda-o e convida-o a não se sentar mais naquela cadeira, que era a dele e a mesa era dos senadores da escola.

O colega recém chegado ficou completamente estupefacto e nunca mais se sentou na mesa. Passados tempos questionou alguns colegas se havia lugares marcados e se havia um senado nas escolas, pois ele não tinha conhecimento disso, apesar de ter estado em mais de dezena de escolas. A isto chama-se ostracizar um colega.

Quando era contratado enfrentei situações de menosprezo dos contratados, e em geral existem grupos fechados em todas as escolas, o que já não é razoável, mas nada foi tão longe como neste caso, em que além, da segregação do(s) colega(s) contratado(s), que nos dias de hoje são colegas com dezenas de anos de serviço, como era o caso e devia ser respeitado, temos uma auto promoção a senadores. Como se dizia, presunção e água benta cada um toma a que quer, mas que se cria mau ambiente é inquestionável.

São estes episódios que criam divisões artificiais entre a classe docente e criam maus ambientes nas escolas, além de demonstrarem a arrogância de certos colegas.

Janeiro 13, 2015

A questão dos rankings

vai-teaosprofessores

Uma vez por ano aparecem-nos rankings dos exames nacionais. Esta análise é bastante limitada, porque compara realidades diferentes.

Estas realidades diferentes resultam em primeiro lugar dos estratos sócios,económicos e culturais que frequentam as escolas. Assim, quem tem alunos dos estratos mais elevados e médios acaba por estar no top dos rankings, quer sejam escolas privadas ou públicas. Portanto, a narrativa da comunicação social não é correta, isto é, quem está no top são as escolas privadas com a intromissão de algumas públicas, pois, as escolas de top têm o mesmo tipo de alunos.

Algumas escolas vão mesmo mais longe na escolha dos alunos, recusando alunos de necessidades educativas especiais, além da questão económica relacionada com os custos dos privados - havendo sempre extras a pagar -, mesmo sendo financiados pelo Estado, como forma de não facilitar o acesso a alunos das classes mais baixas. Nas públicas este processo de escolha de alunos é mais escondido nos processos de criação de turmas, mas existe.

Depois temos uma orientação para o sucesso nos exames, sem olhar os alunos de uma forma holística,existindo necessidade de formação humanística e de socialização. Estas situações aparecem em estudos que mostram mais dificuldades de adaptação dos alunos do privado nos primeiros anos de frequência do superior.

Concluindo, temos necessidade de ter algum cuidado e rigor na análise dos rankings.

Janeiro 06, 2015

O MEC é um exemplo de zelo...

vai-teaosprofessores

Neste início de ano de 2015 as notícias relevantes são:

- o atraso no pagamento aos colégios do ensino especial;

- a crítica de um conselho científico à prova de acesso à profissão docente.

Quanto ao atraso de pagamento pode ter a ver com o transferir despesas para o ano seguinte, para não sobrecarrregar num certo ano o orçamento. Parece ser isso que se passa uma vez que o Tribunal de Contas confirma o envio tardio desta despesa para receber o visto. Este episódio mostra a prioridade orçamental sobre as pessoas, neste caso ainda mais grave por serem alunos deficientes.

A crítica à prova de acesso por um conselho científico prova que a utilidade desta prova é a de excluir pessoas no acesso à profissão docente, mesmo que a maioria dos que são aprovados não obtêm lugar na profissão, o que prova a sua redundância. Além do mais demonstra cobardia ao não atacar o ensino superior que forma professores,ou seja, atua a jusante do problema e não a montante.

O que têm em comum estas duas acções é o desprezo pelas pessoas,os alunos deficientes e os candidatos a professores, neste aspeto o MEC é bastante zeloso.