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CONTRAOFACILITISMO

Blog para debater ideias que recusem o facilitismo em educação.

CONTRAOFACILITISMO

Blog para debater ideias que recusem o facilitismo em educação.

Março 23, 2015

Quando o acessório se sobrepõe ao essencial.

vai-teaosprofessores

Imaginemos que uma escola tem à sua disposição algum dinheiro para investir em equipamentos, quer porque conseguiu poupanças, quer porque foi apoiada sob a lei do mecenato.

Imaginemos que está em cima da mesa gastar esse dinheiro num piano ou em computadores. O piano vai apoiar as atividades extracurriculares e os computadores vão aumentar a oferta de salas com equipamento informático, onde se registam estrangulamentos - mesmo que pontuais - no acesso das turmas de um ensino com apoio de material informático.

Imaginemos que quem decide opta pelo piano e promove uma agenda cultural riquissíma que chama a atenção da comunidade e pode servir de trampolim para voos mais altos.

Neste caso a escola faz uma opção por algo que não é a principal tarefa da educação e que pode dar frutos a nível pessoal do dirigente, em deterimento de reforçar algo mais relacionado com o «core business» da educação, dar condições de trabalho aos alunos e professores,  talvez sem qualquer visibilidade na comunidade.

Março 16, 2015

A crise e a (des)motivação dos alunos.

vai-teaosprofessores

Já tenho vindo a sentir, mas acho que este ano agravou-se, os alunos estão cada vez mais desmotivados na escola.

De facto, nos profissionais, tenho cada vez mais alunos que não estudam, estão na escola à espera de completarem 18 anos para as famílias não serem incomodadas se abandonarem a escola - até esta idade o abandono escolar dá origem a um processo de averiguações na CPCJ.

Nos alunos nos cursos de prosseguimento de estudos há cada vez mais desencanto com a ida para a universidade, devido ao elevado desemprego nas camadas mais jovens da população ativa, mesmo para os licenciados. Neste contexto, há cada vez mais alunos que se batem por somente completar o 12º ano. Há alguns anos atrás havia 2/3 das turmas de alunos a lutar por uma nota de acesso ao curso universitário de eleição ou o possível face ao desempenho, presentemente essa percentagem é de um terço, o que cria um ambiente escolar de maior indisciplina.

Março 10, 2015

A propósito do debate entre Davide Justino e Medina Carreira

vai-teaosprofessores

Ontem à noite assisti a mais um «olhos nos olhos«, agora sobre a educação. Alguns dados que quero realçar é que houve um corte de 1500 milhões de euros na educação sendo 2/3 com salários de professores e 1/3 com ganhos de eficiência com a concentração dos alunos em agrupamentos. Ora, com a reposição salarial o orçamento do MEC, vai subir dos atuais 8 para 9 mil milhões de euros. Ficou a ideia de que se tem de continuar a reduzir custos ao nível dos ganhos de eficiência (conclusão de Davide Justino) a que contraponho a necessidade de se reduzir os juros da dívida pública, para permitir os aumentos salariais e para relançar a economia.

Por outro lado, como defende Guinote, o ensino tem melhorado, reconheceu Davide Justino, como provam os resultados do PISA, com mérito dos professores que mesmo com a sua condição de vida degradada, mantêm um profissionalismo assinalável e não levam para dentro da sala de aula as suas frustações.

Os alunos da via profissionalizante (profissionais e vocacionais) são cerca de 42% do total e foi reconhecido que há cursos com fraca empregabilidade, tal como acontece no superior. Esta situação de desfasamento entre a oferta académica e a empregabilidade tende a desmotivar o prosseguimento de estudos, no ensino superior, bem como, em menor escala no secundário. A formação de professores é uma área onde se sente este desfasamento, por via da redução de alunos resultante da demografia. Este ano tenho uma turma de humanidades exemplo desta desmotivação, em que dos cerca de 20 alunos só 4 aspiram a prosseguir os estudos, com 2/3 dos alunos a lutar pela nota mínima, não por falta de capacidades, mas por desmotivação.

A proposta de se evitar as reprovações dizia principalmente respeito ao básico e como contrapartida e sem por em causa a avaliação de fim de ciclo por exames, foi reconhecido que se teria de aumentar o apoio a tais alunos, o que me parece difícil, sem aumentar a despesa. Esta formulação do problema é por mim aceite, tanto mais que a questão demográfica libertará recursos humanos que podem ser aproveitados para se resolver esta necessidade de apoios.

A minha discordância foi de que o ensino hoje é mais rigoroso, pois acho, que se podia melhorar ao nível da redução da mentalidade facilitista, o objetivo deste blogue, pois,  ao exigir-se mais não significa que o insucesso aumente, porque a gestão das expetativas pode levar os alunos a trabalhar mais. Eu tenho esta experiência, ao ser exigente, não tenho piores resultados que alguns colegas que facilitam, pois os alunos adaptam-se ao que se lhes é exigido.

Março 02, 2015

A dívida do PM à segurança social

vai-teaosprofessores

Este é um tema mais político, mas não deixa de ser educacional, porque os governantes deviam ter um discurso coerente com a sua prática governativa e quando não o têm não fazem a pedagogia do exemplo.

De facto a escola não pode procurar fazer um discurso baseado na coerência e no rigor e ser desmentida pela cultura societal e pela prática dos governantes. Neste caso não se pode advogar o primado da lei e depois quando o 1º ministro é apanhado a prevaricar, se tenta desculpar a situação com a prescrição dos factos, com erros do sistema e com o pagamento de algo já prescrito, para consumo público. Não se pode proclamar que há uma justiça para o cidadão comum e outra para os governantes.

A escola é hoje chamada a ter cada vez mais funções sociais, sabendo-se que quando é ensinado aos alunos certos deveres há grande possibilidade de estes cumprirem. Tal como é praticado na religião a idade escolar permite «catequizar» com mais eficiência, talvez porque ainda não desenvolveram o sentido crítico. Mas, não nos esqueçamos que com a idade mais avançada e com o sentido crítico muitas das crenças incutidas podem ser postas em causa quando a sociedade não é coerente com os ensinamentos ministrados.