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CONTRAOFACILITISMO

Blog para debater ideias que recusem o facilitismo em educação.

CONTRAOFACILITISMO

Blog para debater ideias que recusem o facilitismo em educação.

Novembro 30, 2016

Melhoria de resultados em contexto de comparações internacionais

vai-teaosprofessores

Foram divulgados os resultados da avaliação aos alunos de uma série de países alvos de um mesmo teste e os resultados dos alunos portugueses, quer no 4º ano, quer no 12º ano apresentam melhorias, excetuando ciências do 4º ano, mas mesmo uma análise mais longa mostra também uma evolução nesta disciplina.

A análise destes resultados deve realçar, que em primeiro lugar, estes resultados resultam da ação do anterior governo não deste, refletindo a opção política de investir mais tempo na matemática (e no português), o que prova que com os mesmos professores e os alunos com o mesmo contexto socioeconómico, se consegue melhor com mais recursos, neste caso tempo dedicado a algumas matérias. Como as horas do semanário horário continuaram as mesmas, as outras disciplinas ficaram com menos tempo e os resultados, sem serem maus, ressentiram-se a ciências.

Esta conclusão deve fazer o governo avançar para a redução do número de alunos por turma, que permite também aumentar o tempo dedicado pelo professor aos alunos, particularmente aos que têm mais dificuldades, o que extrapolando este resultado, significará uam melhoria também nas aprendizagens. 

Concluindo o nó górdio da melhoria dos resultados encontra-se na sala de aula e resulta de dedicar mais tempo às disciplinas nucleares e mais tempo aos alunos que apresentam mais dificuldades. Esta é a minha receita na prática letiva e também notei retrocesso de alguns alunos quando uma disciplina técnica que leciono só desdobrou metade das horas em relação ao ano anterior.

 

Novembro 24, 2016

Entre o novo raking das escolas e a redução de alunos por turma: o segundo é decisivo.

vai-teaosprofessores

Hoje a notícia sobre educação é que o governo prepara um novo ranking das escolas que é independente dos exames, isto é, passa a comparar o aluno nos anos recentes com as classificações de anos mais antigos, com vista a verificar se o aluno progrediu ou ficou na mesma.

Era necessário pensar numa nova forma de avaliar as escolas, com o fim dos exames nos 4º e 6º anos, e esta pode ser uma forma, que visa saber se o aluno melhorou, manteve-se ou piorou no percurso escolar dentro de cada ciclo.

Sobre este assunto um aparte, no artigo do público sobre o assunto era escusada a chamada de atenção para os diretores do ensino público que não quiseram comentar a notícia. De facto, colocando-me na pele de um deles, não a comentaria sem ter tempo de a digerir e a discutir. A mim parece-me mais um aproveitamento para se atacar o ensino público, tendo já denunciado uma outra notícia do mesmo jornal que subrepeticiamente imputa ao professores mais idosos, aulas desinteressantes para os alunos.

A minha formação em gestão, permite-me reconhecer que para quem gere é importante ter indicadores que o ajudem a tomar decisões, pelo que a existência de um novo ranking, sem levar em conta as notas dos exames que foram extintos, era uma necessidade, não tendo de momento muitos elementos para comentar o novo meio de comparar os resultados das escolas. Dou, portanto esta ideia como válida reservando uma opinião final quando esta estiver operacionalizada. 

Contudo, o elemento central para se melhorar o ensino e depois se proceder a uma análise de resultados é criar condições para que os alunos aprendam nas salas de aula e aqui, a redução de alunos por turma será a decisão mais importante a tomar. Eu tenho uma turma, em que trabalho com todos alguns tempos e a turma dividida, noutros tempos. É uma diferença abismal, para todos, mas especialmente para os alunos que precisam de apoio personalizado nas aulas por turnos. Por exemplo, consegui que um aluno NEE tivesse algumas notas ao nível dos alunos médios da turma.

Concluindo, sendo importante haver instrumentos de gestão e de monitorização do sistema, o mais importante para mim é a redução de alunos por turma, medida em estudo, que devia ser prioritária, mas que não é por exigir recursos financeiros adicionais.

Novembro 14, 2016

A questão dos precários na educação: uma proposta de solução

vai-teaosprofessores

De tempos a tempos, por ocasião da colocação de professores, há parangonas nos jornais, alertando para a precaridade de alguns professores, ou ainda realçando que por detrás de um professor existe uma família, separada durante a semana.

O acordo de princípios para se resolver a situação dos precários na administração pública abre alguma esperança para se resolver o problema dos professores (e de todos os outros funcionários públicos). Já tinha estranhado o adiamento da proposta governamental para os novos concursos prometida pelo ME, mas parece que faz sentido, se tiver a ver com a aprovação deste acordo entre o o governo e os seus apoiantes parlamentares. Só depois deste acordo faria sentido a apresentação da dita proposta.

Não havendo proposta, passo a enunciar algumas linhas de orientação. Todos os professores que completem 365*3=1095 dias de serviço, desde que tenham trabalhado mais de 10 meses nos últimos 3 anos, devem entrar nos quadros. Os quadros podem ser de zona, de escola/agrupamento(E/A) ou um quadro nacional. Pertencer ao quadro nacional significaria ter emprego assegurado, mas que pode ser no outro extremo do país em relação à sua residência. Nos concursos internos poder-se-ia concorrer aos quadros de zona ou de E/A. Os contratados continuariam a existir e o passo seguinte na carreira seria o quadro nacional, depois o quadro de zona e por fim, os quadros de E/A. O concurso nacional de colocação dos contratados devia seguir a graduação profissional e as preferências declaradas.

Reconheço que estou afastado destes problemas, pelo que esta é uma proposta para ser discutida, mas parece-me que vai resolver muitos dos atuais problemas, mantendo a graduação profissional e o concurso nacional como mecanismos de recrutamento e criando um mecanismo de aproximação à residência em função de vagas abertas. A abertura de vagas nas escolas seria obrigatória sempre que um grupo disciplinar tivesse de recorrer a professores que não façam parte dos quadros da E/A durante três anos seguidos, para horários superiores a 18 horas.

Novembro 07, 2016

A propósito da greve em Espanha aos TPCs

vai-teaosprofessores

O tema desta semana neste blog foi despoletado pelo facto de os nossos vizinhos terem promovido uma greve aos TPCs. Primeiro enquadremos a temática para Portugal, dados da OCDE mostram que os professores portugueses não abusam (em média) dos trabalhos para casa. Mas mesmo assim há controvérsia também entre nós sobre os TPCs. Devo dizer que ainda este ano encontrei uma situação de excesso de TPC na turma da minha filha, porque houve uma quinta em que o/a professor/a passou TPC, com aula no dia seguinte e com os alunos a terem aulas das 8:30 às 18:30 nesse dia e a estarem de novo em aulas ao primeiro tempo de sexta. Neste caso o/a professor/a esqueceu-se de contextualizar a oportunidade de haverem exercícios para casa, tanto mais que se tem de considerar que os alunos devem ter outras atividades, desportivas ou culturais. Há vida para além da escola.

Não sou contra os TPCs por princípio, mas estes devem servir para consolidar a matéria lecionada, mas não para se cumprir partes do programa que não se tem tempo para aprofundar. Devem, portanto ser limitados no tempo (o ideal seria meia hora) e deveria haver coordenação entre os professores para se decidir quem os deve passar, em função do semanário-horário e da importância das disciplinas. Ora, sei que esta coordenação não é usual e é a exceção, daí surgirem os excessos. Também sei que é controversa a ideia de haver prioridades entre disciplinas, mas todos sabemos que há disciplinas estruturantes, português e matemática,  e disciplinas com maior insucesso, que exigem medidas adicionais em relação a outras disciplinas, pelo que a decisão sobre prioridades faz parte da gestão corrente e não visa desvalorizar esta ou aquela área do conhecimento, mas somente reforçar as aprendizagem conforme o contexto da turma.

Concluindo, devemos afastar deste debate posições extremadas, como ser contra ou ser a favor sem regras. As regras devem acima de tudo levar em conta o contexto, ou seja, as particularidades de cada turma. É também importante considerar que existe vida além da formação escolar de forma a dar espaço a outras atividades do aluno e nunca sobrecarregar os alunos com trabalhos para casa, sendo aceitável que se o aluno tiver uma tarde livre possa levar TPCs de 3 disciplinas que o ocuparão cerca de 2 horas.

Novembro 01, 2016

A questão da descida dos gastos em educação para 2017

vai-teaosprofessores

No meu outro blog abelhudo-economicus analisei os recentes tiros no pé deste governo, como a lei específica para a CGD, a falta de informação do OGE entregue no Parlamento e os não licenciados que se faziam passar por; tendo achado que eram polémicas escusadas num governo minoritário. Ora na sequências da nova informação entregue ao parlamento aparece outra polémica desnecessária: afinal as despesas de educação não sobem mas descem quando comparadas com o executado em 2016 em vez do orçamentado em 2016. Mais um tiro no pé deste governo que se fosse claro e verdadeiro não passaria por estas situações de desgaste, desgaste este que não tem vindo dos seus parceiros no Parlamento, mas da inabilidade do ministro das finanças.

Se desde o início se tivesse toda a informação perceberia-se que depois de reduções no orçamento da educação entre 2011 e 2015 na ordem dos cerca de 500 milhões de euros, iniciou-se uma fase de crescimento em 2016 do orçamento da educação, que em 2017 vai voltar a cair em relação ao executado em 2016, mas que ainda assim mostra um esforço de se voltar a investir em educação da ordem dos 400 milhões de euros desde a vigência deste governo. A descida em relação ao executado em 2016 pode ter uma explicação plausível, mas quando se tenta encobrir a situação e ela se torna pública já toda a gente está desconfiada destes números e a subida do orçamentado na educação passa a ser difícil de explicar.

Concluindo há quem dentro deste governo não entenda que os truques, a sonegação de informação e a falta de transparência só prejudicam a visão que a opinião pública tem deste governo, além de que para mim este erro é um erro grave que devia levar a demissões, porque pôs em causa a palavra do 1º ministro de que haveria aumento das despesas em educação e não há. Criar desconfiança nos governados não ajuda à sobrevivência deste governo, além de neste aspeto não se apresentar diferente de muitos outros e se ter razão para dizer que são todos iguais, ajudando ao aumento da não credibilidade dos políticos.