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CONTRAOFACILITISMO

Blog para debater ideias que recusem o facilitismo em educação.

CONTRAOFACILITISMO

Blog para debater ideias que recusem o facilitismo em educação.

Maio 29, 2017

A experiência da Escola de Esgueira

vai-teaosprofessores

No jornal de hoje «o Público» realça a experiência pedagócica numa escola de Esgueira, em que se cria um ninho, onde um grupo de alunos passa a ter acompanhamento personalizado e ao que é relatado conseguem bons resultados.

Passemos a analisá-la, o processo consiste em ter numa turma além de um professor titular, um professor de apoio, algumas horas, neste caso acho que eram 6 horas. O professor de apoio assume a turma durante esse tempo, enquanto o professor titular vai «trabalhar» com um grupo restrito de alunos, até ao máximo de seis. Estes alunos não serão sempre os mesmos, mas os que demonstrem ter dificuldades na matéria a ser dada. O sistema pressupõe que se sinalize desde o início alunos que tenham dificuldades de entender uma dada matéria, para poderem ser recuperados.

Reparem há investimento em recursos humanos, havendo um professor de apoio que poderá apoiar até 3/4 turmas. Em segundo lugar há a criação de um pequeno grupo de alunos para superar dificuldades. Assim, reconhece-se a necessidade de um apoio mais restrito para um grupo pequeno de alunos, em linguagem comum, um ambiente de explicações. Há ainda uma procura de soluções para problemas de aprendizagem detetados precocemente.

Reparem que hoje se reivindica menos alunos na turma, pelo que a redução de alunos na turma, seria equivalente do ponto de vista financeiro, pois ambas implicam ter mais um professor, se em vez de 4 turmas tivessemos 5. Chegados aqui surge uma outra questão, criar ninhos ou pura e simplesmente reduzir os alunos por turma terão o mesmo impacto pedagógico? Não sei responder, mas ambos os caminhos podem ser soluções, desde que se permita, num número restrito de horas letivas acompanhar mais de perto os alunos com dificuldades de aprendizagem.

Concluindo, melhorar os resultados escolares e reduzir as retenções implica investimento em educação, a contratação de mais professores que permitam melhor acompanhamento individual, havendo várias formas de o fazer, além da deteção precoce dos problemas.

Maio 25, 2017

Os turistas das escolas

vai-teaosprofessores

Tenho no final do ano feito recuperação de módulos aos alunos, conforme alteração recente ao regulamento interno, em que no final do ano se aproveitam os dias para tentar recuperar módulos atrasados (profissionais). A ideia é ótima, pois aproveita-se um intervalo de tempo disponível até ao fim do período, depois das aulas acabarem, para dar uma oportunidade aos alunos com módulos em atraso.

Esta boa intenção está, contudo, na prática, a ter fracos resultados, porque os alunos continuam a não estudar. Passo a explicar, mesmo voltando a repetir a matéria, agora em jeito de explicações personalizadas, os alunos (grande parte) continua à espera que as coisas lhe caiam do céu, não despendendo qualquer esforço para aprenderem. Há turmas em que ao fim de 3 recuperações só aproveitaram um ou dois alunos, mesmo repetindo os testes. Mas a grande maioria são o que eu chamo de turistas, só vão à escola sem se esforçarem, porque são obrigados e porque é uma oportunidade para conviverem com colegas.

Recuso-me a facilitar mais do que já faço por respeito ao esforço que os alunos com aproveitamento tiveram de despender. Portanto, por respeito pelo que se esforçaram e tembém por uma ética profissional de justiça e tratamento igual dos alunos, quem não se esforçar não passa. 

Concluindo, o esforço da escola ao criar uma época em que os alunos têm apoio para recuperar módulos e do esforço do professor que até dá quase explicações, não tem recompensa com o empenhamento dos alunos. Outros há mesmo que nem o apoio querem ter e nem sequer tentar fazer os testes de recuperação. Para quem não quer nada se pode fazer, nem impondo a frequência obrigatória da escola.

Maio 15, 2017

Ainda a propósito do concurso para Diretores: mais um caso.

vai-teaosprofessores

Em post anterior questionava, não a legalidade, mas a subversão do princípio democrático, de não haver uma eleição (indireta) que funcione como legitimação de um novo ciclo de poder, quando é o CG antigo a escolher o novo diretor e só depois se elege o novo CG.

Tomei conhecimento do que aconteceu para os lados de Felgueiras, em que o CG anterior escolheu um diretor, mas a eleição de um novo CG, escolheu outro Diretor(a).  Agora está tudo encaminhado para contencioso. Para se evitar estas situações é que defendo que, findo o ciclo de poder, haja por via eleitoral uma sufragação do que se passou no ciclo anterior, por exemplo,escolhendo-se haver continuidade ou mudança.

Esta situação mostra-nos um afastamento entre o legalmente estatuído, que permite reconduções e concursos pelo velho CG e os princípios democratas, que colocam em cima da mesa a sufregação de um mandato mediado por eleições, neste caso indiretas e por corpos. Esta dessintonia pode, como este caso mostra, criar instabilidade nas escolas, o que é mais uma razão para se fazer a revisão do modelo de gestão das escolas, onde devemos preferir uma gestão soft (colegial) do que uma gestão hard (pessoal), provando-se agora que esta última para além de ter matado a participação e a democracia nas escolas, também pode criar instabilidade.

 

Maio 08, 2017

Quem marca a agenda na educação?

vai-teaosprofessores

Na educação há vários atores sociais, o governo, os sindicatos e os professores, que podemos acompanhar através de blogs.

O governo parece marcar a agenda política, agora está em curso a resolução dos agentes do Estado que sejam precários. Esta agenda resulta do acordo firmado pelo governo e seus parceiros. O governo diz que se tem de ir avançando condicionados pela restrição orçamental, mas cumprindo as promessas eleitorais. 

Os sindicatos prisioneiros do novo contexto político exitam em ações contra o governo, ainda que vão mostrando desagrados, como no especialíssimo processo de vínculação de precários na educação, aqui ser corpo especial significa ter regras mais restritivas que outros funcionários públicos; pedem a revisão do modelo de gestão e o governo reforça via descentralização o poder das câmaras municipais; o governo avança com a flexibilização do currículo e com o perfil do aluno, aparentemente em discussão pública, mas já com soluções definidas, ainda que não legisladas. O Guinote consegue ligar algumas destas alterações com grupos de interesses com relações mais fortes à 5 de outubro. Surgiu também a questão do fim do congelamento salarial, mas sobre os professores nada transpareceu e parece que continuarão especiais no sentido de soluções serem financeiramente custosas e logo correrem o risco de ficarem  de fora, à espera de folga orçamental. Seremos, pois, especiais no sentido de termos soluções diferentes para pior do que os outros funcionários públicos. 

Os professores continuam na sua zona de conforto à espera do que vai acontecer, dizendo uns que algo se está a fazer, outros que se poderia ir mais longe. De facto, por exemplo, na questão da gestão, o papão da folga orçamental não se coloca, mas o assunto não ganha protogonismo, pois muitos estão contentes com os diretores, mesmo que certos princípios democráticos sejam completamente postos de lado. Quando nos demitimos de lutar pelo que acreditamos para não pormos em causa a nossa zona de conformo, que sendo má podia ainda ser pior, o ator social hiberna e nada se avança.