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CONTRAOFACILITISMO

Blog para debater ideias que recusem o facilitismo em educação.

CONTRAOFACILITISMO

Blog para debater ideias que recusem o facilitismo em educação.

Outubro 24, 2018

O que ainda faz os professores serem estimados?

vai-teaosprofessores

Os inquéritos feitos às poupulações valorizam os professores, dando-lhes credibilidade e reconhecendo a sua dedicação. Não obstante, do lado dos governos tem sido uma classe profissional que tem sido analisada mais do lado dos custos orçamentais, em vez de um investimento para o futuro, como devia ser encarada a educação e os seus operacionais qualificados.

Esta classe tem sido afrontada não só do ponto de vista dos salários, onde tem sido discriminada, sendo uma das poucas em que o tempo de serviço congelado não foi integralmente contado. Mas não tem sido só no aspeto monetário que os professores têm sido afrontados, foram afastados da escolha direta dos seus dirigentes (agora estão em minoria no CG), foram sobrecarregados de tarefas burocráticas, são cobaias da aplicação de teorias educativas, são sacrificados com mais horas de trabalho - na componente de trabalho individual - na implementação destas teoriais, sem que depois se faça uma avaliação independente das experiências, aumentam o seu ritmo de trabalho ao implementarem novas leis e novos paradigmas em cima do começo do ano letivo.

Este contraste entre o reconhecimento da população e o tratamento dos governos, que querem fazer omoletes sem ovos (sem dar recursos às escolas) à custa da intensificação do trabalho não letivo com os alunos dos professores, que pode prejudicar o trabalho letivo na medida em que os professores estão mais cansados senão mesmo em burnout, tem de ser resolvido ou a escola entra em ruptura. 

Se até agora o sistema não entrou em colapso deve-se ao profissionalismo dos professores que apesar destas condições adversas gostam daquilo que fazem e para se manterem lúcidos recorrem cada vez mais aos fármacos. Mas esta solução é como a aspirina alivia mas não cura e os problemas vão-se agravando!...

 

Outubro 17, 2018

A reforma desta equipa da educação: como fazer omeletes sem ovos.

vai-teaosprofessores

Assisti a semana passada a uma formação sobre a reforma em curso na educação, dada pela professora Arina Cosme, que me elucidou sobre o alcance das reformas em curso, dando-me uma visão holística destas transformações que englobam o perfil do aluno, a educação inclusiva e a reforma curricular e a flexibilização.

Os objetivos destas reformas são promover uma alteração dos objetivos dos ensino básico e secundário, ao mesmo tempo que se procura flexibilizar a organização escolar adaptando-a às alterações tecnológicas que se têm verificado a apartir do último quartel do século XX. 

Como professor do ensino básico e secundário, reconheço que há muito a fazer para transformar o ensino e que há nestas transformações algumas boas ideias, como dotar este nível de ensino de objetivos próprios, refletidos no perfil do aluno. Como de costume os fins são relativamente consensuais, ficando a dúvida, já expressa neste blogue, se estas transformações são exequíveis sem um acréscimo de meios financeiros? Algumas serão possíveis mas outras exigem um envelope financeiro. Exemplo, se hoje temos uma pernafernália de meios tecnológicos, não faz sentido dar-se aulas, somente com um quadro ou somente um quadro e um projetor, é preciso haver computadores ou tabletes para os alunos, para que a sala de aula possa mudar. Ora, neste momento, não há programas para equipar as salas de aulas com novos meios tecnológicos. A Câmara oferece uma sala (muito pouco) e a associação de pais tem em curso uma recolha de fundos para equipar outra sala, ou seja, estamos no domínio do «desenrasca».

Depois é preciso melhorar a interdisciplinaridade, com a flexibilização do currículo, mas aqui além de salas sem estarem equipadas, reconheço outros obstáculos, desde a falta de créditos em escolas com o corpo docente envelhecido, créditos esses comidos pelo 79 - redução do tempo letivo dos professores devido à idade -, até resistências dos professores. Mesmo que se ultrapasse a resistência avançando os voluntários, faltam os créditos e aqui o problema está no Ministério que não os disponibilizou em função das necessidades de cada escola, sabendo que os docentes abrangidos pelo 79 são cada vez mais. Mais uma vez uma boa ideia que só se pode aplicar de forma mitigada porque faltou o envelope financeiro que permita dar mais créditos ás escolas - o que significa contartar mais professores - com muitos professores com redução devido à idade.

Por fim a reforma curricular com as aprendizagens essenciais, feita em diálogo com as associações de professores em vez das universidades, poucas alterações produziu face às metas curriculares do Crato. No básico com o fim de muitos exames há mais espaço para se inovar, apesar de se manterem os exames do 9º ano, ainda que só a duas disciplinas. Pelo menos as outras podem concentrarem-se no alcance de objetivos relacionados com o perfil do aluno. Mas estas transformações esbarram na manutenção dos exames no 12º ano no secundário: não se pode ter pedagogia diferenciada quando há uma avaliação igual para todos. Aqui faltou coragem de enviar para o superior a forma de acesso a este grau de ensino como se faz em todo o mundo, continuando a sobrecarregar de trabalho os professores com um objetivo que não devia ser deste grau de ensino, e minimizando o estabelecido no perfil do aluno, ou seja, no secundário não se aplica o perfil do aluno no ensino regular.

Concluindo, boas ideias, tentando-se fazer omoletes sem ovos, ou seja, sem dinheiro e faltando coragem política de levar até ao fim os objetivos próprios do ensino básico e secundário, continuando este grau de ensino refém da forma de acesso ao superior, o que não permite concretizar os tais objetivos próprios. Por fim referir a pressa em fazer tudo isto antes do último ano desta legislatura, fazendo sair normativos em cima do começo do ano letivo, atrasando o funcionamento normal do ano escolar, por exemplo, dúvidas sobre critérios de avaliação que estas transformações modificaram. Positivo foi ter havido uma avaliação prévia das medidas em projetos piloto.

 

Outubro 10, 2018

A arte de lapidar os diamantes em bruto no 10º ano

vai-teaosprofessores

Depois de alguns anos sem dar 10ºs anos, voltei este ano a lecionar uma turma, ainda que dividida em turnos, com 15 alunos em cada turno, portanto o problema de haver um número excessivo não se põe, há condições de trabalho.

Há um turno em que se trabalha bem e que em geral tem os objetivos para uma dada aula cumpridos antes da aula terminar.

O outro turno tem um aluno que não se cala, está sempre a interromper, depois há mais 4 ou 5 alunos que também gostam de conversar e interromper o decurso da aula, mas mais ocasionalmente. Por isso esta aula é menos produtiva, os alunos levam mais tempo a realizar as tarefas, além de o professor sentir um maior desgaste com as correções de comportamento que tem de fazer, além do acompanhamento científico dos trabalhos que os alunos realizam. Além disso, neste turmo tenho um aluno com bastantes dificuldades de aprendizagem, o que me devia levar a trabalhar com ele mais tempo, o que só acontece de forma mitigada. 

Claro que já comecei a pôr alunos fora da sala de aula (enviados para a biblioteca) para melhorar o ambiente de trabalho, para o grupo menos bem comportado não interferir com a aprendizagem dos outros em especial com o aluno com mais dificuldades. Depois há uma fase de diálogo, em geral na aula seguinte, para os alunos interiorizarem que têm de ajustar o seu comportamento.

Em relação ao aluno com o comportamento mais excentrico e extrovertido, já foi uma vez mandado embora e a mãe foi logo chamada e na aula seguinte teve um bom comportamento, mesmo exemplar, mas foi sol de pouca duração, logo de seguida voltou ao que era e teve novamente convite para saída da sala de aula. Vou continuar a esforçar-me para corrigir estes problemas, mas sempre procurando preservar a manutenção de ambiente de trabalho para quem quer trabalhar. A ajuda dos pais é aqui essencial e aconteceu, espero que se mantenha.

Os alunos no 10º ano vêm de outras escolas e têm hábitos diversos, daí o trabalho de criar condições de aprendizagem para todos, que é o que chamo de arte de lapidar os diamantes em bruto. Começa-se desde o início, aplicando tolerância zero e lá para dezembro temos a situação controlada, estando tudo facilitado com a colaboração dos pais. Se este trabalho não for feito, acontece que essa turma vai ficar indisciplinada até a fim do secundário, como já vi acontecer no passado e temos de fazer os possíveis para que turmas indisciplinadas não se repitam e perpetuem.

 

Outubro 03, 2018

A desqualificação dos professores como carreira especial

vai-teaosprofessores

Aparentemente está em curso uma tentativa de alterar a carreira de professores, retirando-lhe o estatuto de carreira especial, como médidos, magistrados e forças de segurança, passando a ter tratamento igual aos técnicos superiores da função pública.

Este estatuto de carreira especial tem a ver com uma carreira específica, com remunerações diferenciadas e com exigências específicas para o acesso à carreira e para pogressão, esquecendo-se muitas vezes os analistas e jornalistas que tratam os assuntos pela rama, de que há um bloqueio nos acessos aos escalões 5 e 7, filtro esse que pode ser superior (e tem sido, mas só se tornou real depois do descongelamento) a 2/3, ou seja, só 1/3 dos docentes em condições de progredir conseguem.

Esta tentativa vai consumar-se se o governo avançar só com a recuperação de um terço do tempo de serviço congelado para efeitos de progressão, equiparando-nos à função pública, o que o governo admite, mas isto é já alterar a carreira docente sem negociação e subrepticiamente. 

Felizmente os sindicatos estão atentos a esta situação e já há denúncias desta situação, ou seja pela via da contagem do tempo de serviço congelado está em curso uma revisão da correira docente procurando equipará-la à da função pública. 

Aproveito este blogue para ajudar a denunciar esta situação que julgo que ainda pouco interiorizada pela classe docente.