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CONTRAOFACILITISMO

Blog para debater ideias que recusem o facilitismo em educação.

CONTRAOFACILITISMO

Blog para debater ideias que recusem o facilitismo em educação.

Março 27, 2019

Os profissionais sem exames no acesso à universidade

vai-teaosprofessores

A contradição entre o perfil do aluno e a existência de exames começa a ser resolvida, ainda que sem coragem política de assumir o fim integral dos exames, ao ser dado um pequeno passo com o fim dos exames nos profissionais. Em época eleitoral não houve coragem para mais.

Mas este anúncio não deixa de ser um anúncio do fim dos exames possivelmente no início da próxima legislatura.

Para mim faz sentido ser o ensino superior a escolher os seus alunos. Contudo este modelo tem perigos. Um deles é o predomínio do sucesso escolar a qualquer custo, o que vai fazer baixar a exigência das escolas que sucumbirem a esta política. Com os novos decretos 54 e 55 já estamos neste caminho, com a obrigação de se baixar a exigência aplicando as chamadas medidas universais a todos os alunos com insucesso, o que significa na prática baixar o nível de exigência para os alunos com dificuldades. Assim, garantimos o sucesso. Mas há situações em que o aluno não quer esforçar-se e aqui o professor nada pode fazer, mesmo baixando o nível de exigência, nas provas de recuperação que tiver de fazer, pois sem qualquer estudo não há resultados.

Outro perigo é este tipo de medida ser um balão de oxigénio para o ensino privado que terá de preparar os alunos para as universidades com provas de acesso mais exigentes. Estamos indiretamente a desvalorizar o ensino público e a promover o ensino privado.

Com a diminuição de alunos resultado da situação demográfica há outros vencedores o ensino superior de segunda linha, porque passa a ter mais candidatos, ainda que pior preparados, mas talvez se inverta a diminuição do número de alunos em certos cursos do superior, principalmente nos politécnicos.

Concluindo, concordando que o ensino secundário deve ter uma lógica própria e o perfil do aluno abre caminho a diversas formações, não deixa de haver o perigo de haver o predomínio do sucesso a qualquer custo, transferindo a verificação da qualidade dos alunos para o superior, situando-se a luta da ascenção social ou manutenção do estatus social para as provas de acesso de certas universidades as de elite, dividindo-se o superior em duas categorias: as de elite e os outros.

Sengunda conclusão: a política de facilitismo é uma política de direita na medida em que dificulta a ascensão social ao exigir investimento em educação (explicações, ensino privado) para se aceder aos melhores cursos, uma vez que o trajeto normal pode não garantir esse acesso.

Março 20, 2019

Mais um exemplo de facilitismo: testes de consulta

vai-teaosprofessores

Faz sentido fazer testes com consulta nos profissionais? Faz se incluído num processo de ensino/aprendizagem em que os alunos criam um caderno pessoal e depois é permitido o uso desse caderno para consulta no teste. Faz sentido num mundo em que o problema não é ter informação mas saber usá-la.

Não faz sentido fazer um teste muito exigente do ponto de vista da ligação da matéria e saber aplicar a matéria a outros contextos, sem treinar os alunos para isso. Aqui o teste de consulta torna-se numa armadilha porque pede-se o que não se ensinou (verificável no caderno do aluno por si construído) permitindo o recurso à internet. Isto foi feito comigo ainda no tempo das enciclopédias, isto é, o nível de exigência não era compatível com o ensinado, mas o professor dava ares de modernidade e vanguardismo.

Mas uma fraude total é permitir o uso do telemóvel e o aluno comunicar o teste para fora da aula e alguém o resolver e enviar as respostas por SMS ou outra forma de comunicação. Assisti a uma situação destas,  intervi e comuniquei ao colega e depois os alunos ainda gozaram comigo e chamaram-me bufo, porque o colega ignorou a minha comunicação.

Março 13, 2019

A discrepância entre a nota interna e a nota de exame.

vai-teaosprofessores

Uma das consequências da pedagogia diferência é diminuir o grau de exigência ou arranjar formas de recuperação do aluno, como repetir numa questão de aula o grupo onde teve menor nota, substituindo a nova cotação obtida com a questão de aula pela anterior. Esta estratégia, tem vantagens obriga o aluno a estudar a parte mais fraca do teste, mas também permite subir as notas. Face a estas novas pedagogias, mais centradas no aluno como indivíduo as notas internas tendem a subir.

Já antes destes novos processos pedagógicos a nota interna tinha um bónus de 20% para os alunos bem comportados, em termos de assiduidade, comportamento e empenho. Desta maneira as notas internas já refletiam outros fatores além da avaliação sumativa (as notas dos testes) fazendo com que as notas subissem.

Nos ratings temos como consequência que estas inovações aumentam a discrepância entre a nota interna e a nota externa, descendo as escolas que aderiram a esta pedagogia incentivada pelo atual ME nos ratings.

O mesmo ME propos uma nova forma de avaliação das escolas baseada no percurso do aluno e neste novo raking estas escolas apresentam uma boa prestação, sendo premiadas com mais um horário que deve ser usado exclusivamente para coadjuvações e apoios.

O problema da coexistência destas duas formas de avaliar as escolas é que o sistema de acesso ao superior não foi alterado e pode acontecer que as escolas que apostam no segundo rating esteja a prejudicar o acesso dos seus alunos ao ensino superior.

Concluindo quem governa tem de ter coragem política para escolher um modelo ou outro, o modelo hibrído pode ser uma armadilha no acesso ao ensino superior.