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CONTRAOFACILITISMO

Blog para debater ideias que recusem o facilitismo em educação.

CONTRAOFACILITISMO

Blog para debater ideias que recusem o facilitismo em educação.

Setembro 27, 2019

A minha leitura dos programas eleitorais referentes à educação.

vai-teaosprofessores

A minha leitura dos programas eleitorais vai ser feita por ordem decrescente de temas que considero prioritários: modelo de gestão, disciplina/indisciplina, área curricular versus avaliações externas e outros temas.

O modelo de gestão precisa de ser revisto, para se reintroduzir a democracia nas escolas, com eleições diretas e acabar com abusos de alguns diretores, que rapidamente se esquecem que são professores. A democracia não resolve tudo, mas cria mecanismos que permitem remover mais facilmente os abusos. A este propósito relembro o artigo: Exemplos De Como Um Diretor Consegue Castigar E Pressionar Um Professor, Por  Alexandre Henriques, em 25 Setembro, 2019. Além disso, esta é uma medida que ajudará a combater o absentismo eleitoral ao permitir aos alunos terem prática de participação em eleições. Os programas do BE e CDU são os únicos a defender a alteração do modelo de gestão.

Em segundo lugar nas minhas prioridades tenho o combate à indisciplina, que permite melhorar a eficiência dos tempos letivos, garantido o bom funcionamento das aulas e menos desgaste do professor. Quando há perturbações na sala de aula, perdem não só os indisciplinados, mas também os disciplinados. A operacionalização da possibilidade de um serviço cívico escolar é para mim uma prioridade. Este tema vem tratado pelo PSD.

A última legislação deste governo, o perfil do aluno e os decretos 54 e 55, estão em contradição com a manutenção da avaliação externa. Isto é a implementação plena do perfil do aluno articulado com os referidos normativos leva a que se acabe com a avaliação externa. Esta bipolaridade do ensino precisa de ser resolvida. O PS, BE e CDU apontam para o reforço da autonomia do ensino básico e secundário, mas ninguém defende explicitamente o fim dos exames. Já o PSD e CDS preveem a prevalência da avaliação externa. Mais uma vez, se houver alternância, teremos mudanças, sem avaliação das reformas, outro dos grandes pecados do nosso sistema de ensino.

Por fim um último tema, a burocracia que tira tempo aos professores para o essencial, o trabalho com os alunos, trabalho este nem sempre letivo e por isso é usado para intensificar o trabalho dos professores que está a provocar burnout na profissão. Este tema é aflorado pelo BE e CDU.

Concluindo, é nos programas do BE e CDU que encontro algumas das questões que considero essenciais tratadas convenientemente. O programa do PSD tem o mérito de pelo menos ter referências ao problema da indisciplina e optar pela importância da avaliação externa.

Setembro 21, 2019

Notas sobre a abertura do ano letivo

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A primeira nota é que para as colocações terem saído a meio de agosto, as escolas anteciparam as necessidades de professores duas semanas, ainda com turmas por aprovar, o que teve como consequência haver mais professores lançados em horário zero (que corresponde a ter de concorrer e ir a concurso) e recuperados de seguida. Outra consequência foi a diminuição da oferta de vagas que depois sobraram para as RRs. Ou seja, o governo fez um brilharete político à custa da instabilidade criada com professores notificados que tinham horários zero e o adiar de colocações habituais em agosto para setembro, conhecendo eu um caso que, por causa deste esquema se perdeu o acesso à norma travão.

O segundo caso refere-se a uma escola requalificada que passou a ter um computador em cada sala (o que antes não acontecia) que permite aos professores fazerem sumários eletrónicos (melhoria no processo administrativo de controle) e passar power-points a partir de uma pen, evitando que o professor traga o seu portátil como fazia antes, mas o número de salas de informática, onde se pode fazer um ensino mais do século XXI e introduzir métodos de avaliação diferentes dos testes, não se alteraram, continuando a ser uma luta para se obter as ditas salas. Não sei de onde veio o financiamento para cerca de mais de meia centena de computadores, se do ministério, se da câmara (que financiou parte das obras) ou da união europeia, mas escolher utilizar recursos para processos administrativos ou permitir aulas expositivas com projeções, está longe do espírito do decreto 55, que promove a inovação pedagógica, que é facilitada com o acesso a meios tecnológicos.

Nota final, continua-se a exagerar nas reuniões, soube de um caso em que só em setembro, estão previstas duas de departamento e duas de grupo, mais os Conselhos de Turma. Dizem-me que duas delas são redundantes, mas dão a ilusão de intenso trabalho dos professores.

Concluindo, olha para o que eu digo e para as aparências, não para os normativos. Isto é, a micropolítica e a política, da ilusão no seu melhor.

Setembro 12, 2019

A formação tornou-se numa política educativa

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Neste último governo agravou-se a tendência da formação de professores se ter tornado em mais um elemento da política educativa para concretizar os objetivos do governo.

Este facto pode ser comprovado da seguinte maneira: em primeiro lugar são os temas lançados pelo governo, como o perfil do aluno, a flexibilidade curricular e a medidas para lidar com alunos com dificuldades (DL54) que foram os temas prioritários da formação no ano passado. Para este ano a formação vai-se centrar na avaliação, para articular esta com os temas atrás referidos. Mas, a grande decisão fica por tomar: o que fazer com os exames? Aqui falta ao governo coragem política, que é resolver se os exames continuam e passar o acesso para o superior para as universidades. Ainda hoje tive ações de formação sobre estes temas e houve unanimidade sobre a contradição disto com exames, cumprimento de programas e reuniões para os docentes articularem, que a existirem tornam o horário dos professores em quase como o dos motoristas, isto é, fazem horas sem lhes pagarem, nem sequer através de ajudas de custo.

Em segundo lugar, a formação sobre as alterações de normativos já referidas só é dada por pessoas que aprovam as medidas tomadas pelo governo e que estiveram nos grupos de estudo que as ajudaram a implementar. Ou seja, estreita-se o campo de recrutamento de formadores aos que apoiam os novos normativos.

Em terceiro lugar, como a regra que impõe que 50% da formação tem de ser formação específica, pode ser um escape ao esquema de centrar a formação nas novas políticas educativas, abrem-se exceções a esta regra, permitindo a título excecional que a formação não específica naqueles temas possa ser considerada específica.

A formação exigida aos professores para progressão na carreira deixou de estar ao livre arbítrio das necessidades sentidas por cada professor tendo em vista colmatar as lacunas por si detetadas, antes passou a ser mais um instrumento da política educativa para se condicionar o ensino que os governos pretendem. Estamos longe do conceito de autonomia das escolas e do reconhecimento do professor como um ser reflexivo. O novo paradigma é o professor ser um mero transmissor do que o governo decide, isto em contradição com o que se defende para os alunos, que não sejam recetores de conhecimento, mas analistas e criativos.

Concluindo, a autonomia é cada vez mais um «soudbite» sem qualquer relação com a realidade. Assiste-se é a cada vez mais à consolidação de um poder educativo centralizado no ministério da educação que pretende criar executantes.

Setembro 02, 2019

A avaliação de professores: um estudo de caso.

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O processo de avaliação docente.

Passou um mês após o processo de avaliação docente respeitante a 2018/19 estar concluído, pelo que é altura de se fazer um balanço baseado na minha experiência pessoal.

Com o fim do congelamento e com a reposição (injusta) dos 2 anos e 9 meses quase 2/3 da escola foi sujeita a avaliação.

A prioridade para acesso aos MB e E foi dada aos professores em vias de transitar para os escalões com barreiras (5º e 7º) foi uma opção correta. Mas realço que não foi uma opção absoluta, ficando de fora alguns casos com pouco empenho para com a escola.

Depois foram premiados os professores com cargos e que os desempenharam com rigor e empenho, mas aqui noto que enquanto para os coordenadores há um universo próprio e portanto há quotas, os elementos da direção, tendem a ficar todos premiados, à custa do universo geral. Assim, é necessário haver também um universo para este grupo, como há para os coordenadores.

Poucas vagas sobraram para os professores sem trabalho de coordenação e ligados à direção, mas com muita dedicação à escola, bastantes vezes com sacrifício familiar.

Depois começam as injustiças, como selecionar entre professores com trabalho meritório os que ficam na conta dos 25% com direito a mais do que bom? Tenho plena consciência que as injustiças levam aos desânimos, como alguns colegas desabafaram comigo e me disseram que para o futuro não se iriam empenhar mais, mas fazer o mínimo, pois façam pouco ou muito só têm o Bom.

Este é o perigo do atual sistema, provoca desmotivação e desânimo para quem cumpre, dedicando algumas semanas mais do que 60 horas à escola e não têm quota. Este processo de avaliação ao decretar que somente um em cada quatro professores pode ver reconhecido o seu trabalho corre o risco de criar somente esta percentagem de professores empenhados. Premiar o mérito de forma a desmotivar quase tantos professores como os premiados é prestar um mau serviço à escola, pois uma escola de qualidade não poderá ter somente 25% do seu corpo docente motivado. Nem tão pouco 50%, senão não tem qualidade.

Concluindo o atual sistema de avaliação de professores pode e está a criar desmotivação no corpo docente das escolas. Isto não se sentiu no passado com a carreira congelada, mas agora ficou claro que esta forma de avaliação a prazo pode diminuir a qualidade média das escolas à medida que os professores não virem o seu esforço reconhecido e isto pode acontecer com 75% dos professores.