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CONTRAOFACILITISMO

Blog para debater ideias que recusem o facilitismo em educação.

CONTRAOFACILITISMO

Blog para debater ideias que recusem o facilitismo em educação.

Maio 20, 2020

A maior contradição desta equipa na educação.

vai-teaosprofessores

A maior contradição desta equipa educativa é sem dúvida a publicação do perfil do aluno e a manutenção dos exames nacionais. O perfil do aluno traça uma série de competências que o aluno no final do secundário pode alcançar de acordo com o seu perfil, algumas delas não são compatíveis com exames nacionais normalizados para todos os alunos.

Quando o perfil do aluno foi publicado pensei que uma nova era se abria para o ensino não superior que se iria emancipar do ensino superior, nomeadamente aparecendo com metas próprias autonomizadas, que estavam no perfil do aluno. Mas rapidamente constatamos que os exames eram para manter, continuando o ensino secundário a ser muleta do ensino superior e desempenhando a tarefa de selecionar os alunos para as universidades. Portanto, o perfil do aluno não passou de uma quimera.

Com a pandemia e com a implementação do ensino à distância julguei ver mais uma oportunidade de os exames perderem o peso que têm no ensino secundário, em que nas disciplinas com exame final se orienta muito o ensino para a realização do mesmo, o mesmo é dizer que a filosofia consentânea com o perfil do aluno fica desvalorizada a favor de uma prova final. Apesar de nos tentarem fazer acreditar que este regresso às aulas tem outros objetivos, como ensaiar o funcionamento das escolas para setembro, a verdade é que na prática pretende-se preparar os alunos para os exames finais. Uma escola decidiu mesmo que numa das aulas presenciais se resolveriam exames de anos anteriores.

Não se compreende, pois, o charme do ministro da educação que se tem desdobrado em entrevistas, por ter sido um herói que promoveu o regresso à «normalidade» de aulas presenciais, quando não lutou para proteger alunos, professores e funcionários com testes – veja o caso de Vila Real com um infetado numa escola, em testes promovidos pela autarquia ou o que se passou em França, com escolas com regresso às aulas e casos de covid. Não se compreende que pareça orgulhoso de promover o regresso à escola para que os exames se realizem, quando promoveu uma reforma educativa com o perfil do aluno que agora deixa cair.

Com tanta contradição só resta à equipa o estilo impositivo e paternalista «das orientações para o ensino à distância» mimetizando os manuais disto e daquilo para totós. Os professores continuam a ser «totós» para o ministério da educação que precisam de orientações ao estilo taylorista de tratar os trabalhadores como seres não pensantes.

Concluindo, o ministério da educação continua a não proteger os seus tutelados, claro que o risco zero não existe, mas é possível minimizar riscos, e continua a navegar no meio de propostas contraditórias, perfil do aluno versus exames, ao sabor das conveniências políticas, não numa lógica coerente mas de se manter no poder.

Maio 13, 2020

O Ministério da educação já desconfinou e normalizou.

vai-teaosprofessores

Antes do Covid vimos como o ministério tratou os professores: não contabilizou todo o tempo de serviço, procurava desvalorizar os professores como seres pensantes limitando-se a serem (na sua visão) meras correias de transmissão do pensamento dos governantes.

Depois veio a pandemia e os professores mostraram um profissionalismo que permitiu implementar alterações radicais no funcionamento das escolas para responder à pandemia. O ensino à distância funcionou e mostrou publicamente os problemas que se têm na sala de aula quando há (alguns) alunos com atitudes que dificultam o funcionamento das aulas e criam indisciplina. Houve empatia pelo papel dos professores e o ministério da educação passou a elogiar os professores, quando antes os combateu, usando argumentos demagógicos, como ignorar / desvalorizar a parte dos aumentos salariais que aumentam os impostos.

Mas agora esta fase foi ultrapassada com o desconfinamento, voltou-se à normalidade de os tratar como trabalhadores diferentes – no sentido de terem menos direitos -, quando se volta às escolas e não há testes ao covid, como acontece com outros setores e foi imposto às creches. Não estou a dizer que não queremos correr riscos, estou a dizer que não está a haver a mesma precaução que houve para outros profissionais, como os trabalhadores dos lares e creches. A política de «testar, testar» não se aplica à educação! Também é significativo que se volta a reunir com quem não discorda das suas opções, ou seja, não tem ouvido os sindicatos, mas recebeu a pró-ordem (quando a nível político, e bem, o governo tem ouvido os partidos, os parceiros sociais e até presidentes de bancos e de clubes de futebol). Este contraste com o facto dos professores e seus representantes serem ignorados, sendo a normalidade pré-covid, não deixa de refletir uma opção clara do governo.

Claro que os professores não se deixam limitar e logo surgem reações como a petição na Assembleia da República em que se mostra que o regresso às aulas no secundário e os exames não cumprem «o direito dos alunos portugueses ao ensino com garantia de igualdade de oportunidades de acesso e êxito escolar». Ou seja, mostra-se uma alternativa e capacidade de reflexão.

Concluindo, o desconfinamento é também o regresso ao antes do covid, com um governo pouco dialogante com os professores e seus representantes e a aplicar critérios menos exigentes do que foi aplicado noutros setores na salvaguarda da saúde da comunidade escolar ao não realizar testes ao covid, ou seja, voltou o desprezo pelos docentes.