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CONTRAOFACILITISMO

Blog para debater ideias que recusem o facilitismo em educação.

CONTRAOFACILITISMO

Blog para debater ideias que recusem o facilitismo em educação.

Janeiro 19, 2011

Os pais e a educação facilitista dos filhos

vai-teaosprofessores

Ser encarregado de educação hoje é querer o melhor para os filhos, tal como no passado. Mas hoje é exigido que os adolescentes frequentem a escola por mais tempo e os pais querem com certeza que o façam com sucesso, apesar da desvalorização social da escolaridade obrigatória à medida que ela aumenta.

Ora fazer uma escolaridade com sucesso é aprenderem efectivamente, ao mesmo tempo que se preparam para a vida activa activa, quer em termos de conhecimentos quer em termos de atitudes e valores. Ora o facilitismo - ou trabalho para as estatísticas - faz com que menos alunos aprendam, ou seja, em muitas escolas o nível de conhecimentos exigidos tem vindo a baixar, como no caso de se poder passar com 8 valores devido a se atribuir uma pertentagem na avaliação que nada tem a ver com conhecimentos adquiridos. Claro que é importante formar os alunos ao nível do comportamento e da atitude cívica, mas ao exigir tão pouco estamos a treinar os alunos para terem atitudes passivas e discretas no mundo laboral. Será isto que as empresas querem? Penso que não, as empresas podem querer trabalhadores passivos a nível da reinvidicação dos seus direitos, mas de maneira nenhuma em termos de empenho nas suas tarefas, e o aluno que vai para a escola sem nada fazer é um aluno que vai reproduzir esse comportamento na vida activa e pode vir a perder o seu posto de trabalho.

Neste contexto, cada vez tenho mais alunos que passam a hora e meia sem abrir o caderno ou o livro, esperando passar. Em geral estes alunos são alunos perturbadores da sala de aula, quer ao nível da conversa, quer com atitudes disciplinares mais graves. São alunos que reagem mal quando são chamados à atenção e perturbam os que querem trabalhar.

Recentemente até levei com uma borracha nas costas, quando estava virado para o quadro a explicar a matéria. Mas, já antes me apercebi que havia objectos pelo ar. Claro que se os alunos não abrem o caderno, têm tendência a ocupar-se com qualquer coisa... Eu exijo que os alunos passem tudo o que foi passado no quadro, mas não dá para estar sempre vigilante e às vezes é preciso concentrarmo-nos na matéria em vez da disciplina.

Na sequência da borracha que levei nas costas os alunos ficaram 10 minutos da hora de almoço na sala e soube que muitos encarregados de educação não concordaram com o castigo, porque o aluno não se denunciou. Este castigo justifica-se para que quem quer aprender pressione os «turistas» a respeitarem o normal funcionamento das aulas. A sociedade tem de ter regras e o castigo colectivo faz precisamente perceberem isto, porque o caos prejudica alguns e beneficia outros, neste caso prejudica quem quer trabalhar. Depois deste castigo as aulas melhoraram e tal aconteceu porque o professor se importou e os alunos trabalhadores perceberam que eram prejudicados pela atitude dos outros e a sua pressão social levou os outros à arrepiar caminho. O facilitismo perdeu esta batalha apesar da incompreensão dos pais, porque o professor se recusou a ignorar e a fingir que estava tudo bem.

 

 

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