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CONTRAOFACILITISMO

Blog para debater ideias que recusem o facilitismo em educação.

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Fevereiro 09, 2011

O fim da escola a tempo inteiro

vai-teaosprofessores

As medidas que o ministério da educação está a implementar são medidas economicistas que visam retirar alguma gordura ao sistema de ensino, mas que por outro lado põem em causa a bandeira do governo da escola a tempo inteiro, e nalguns casos a qualidade do ensino, como na disciplina de ETV,  e a preocupação social da escola, ao acabar com áreas que deviam ter um papel importante na recuperação do insucesso escolar como o estudo acompanhado.

Ora o rigor orçamental obriga a meter na gaveta certas bandeiras governativas, como a escola a tempo inteiro, que vai sofrer algum revés com a diminuição dos tempos lectivos dos alunos a partir do 2º ciclo. Mas quem está no terreno sentia que os alunos tinham sobrecarga horária. Assim sendo, o que está errado é o objectivo escolhido pela governação, que não resistiu às primeiras dificuldades, o que demonstra que não era uma prioridade.

Já os aspectos relacionados com a qualidade de ensino, ainda não estão na agenda política, ou seja, a opção política continua a apostar na quantidade, mais escolaridade obrigatória, mas nada é dito quanto à qualidade, que deverá aparecer como resultado indirecto com a implementação da Avaliação dos Docentes, na medida em que são propostas metas de resultados mais ambiciosos? Julgo que a avaliação docente não vai produzir resultados, porque a escola não muda, além dos professores avaliados prepararem cuidadosamente duas aulas assistidas ... Não é por aqui que se vai melhorar a qualidade de ensino, talvez com outro modelo de avaliação que estimulasse o trabalho de grupo e a reflexão conjunta se conseguisse alguma melhoria, além de mecanismos de apoio aos alunos em dificuldades, que obviamente custam dinheiro, que agora não há.

A preocupação social da escola como garante de igualdade de oportunidades também vai sair prejudicada, na medida em que os mecanismos existentes que constiuiam uma oportunidade de recuperar alunos, ou tão só de se suprir as deficiencias apresentadas pelo aluno em termos de capital cultural, vão desaparecer da organização escolar ou ser restringidos.

Concluindo, houve um flop na bandeira governamental da escola a tempo inteiro, houve diminuição da qualidade de ensino e menor preocupação social no âmbito da política escolar, o que em nada contribui para se dignificar a escola pública.

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