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CONTRAOFACILITISMO

Blog para debater ideias que recusem o facilitismo em educação.

CONTRAOFACILITISMO

Blog para debater ideias que recusem o facilitismo em educação.

Junho 06, 2011

A derrota de Sócrates espero que seja o princípio do fim do facilitismo.

vai-teaosprofessores

A derrota de Sócrates julgo ser uma derrota do facilitismo, pois Sócrates era pelo seu percurso educativo e pelas políticas aplicadas viradas para resultados estatísticos, um símbolo do facilitismo.

O seu exemplo mostrava que se podia fazer disciplinas por fax e ao fim de semana. Um pouco como o que se passa nas Novas Oportunidades, que sendo uma ideia interessante, é aplicada de forma facilitista, com trabalhos feitos sabe-se lá por quem.

A preocupação das políticas educativas eram viradas para as melhorias estatísticas e não para mudanças estruturais, ainda que a escola a tempo inteiro seja uma boa ideia, mas só gastando recursos como o fez no básico se conseguiu concretizá-la efectivamente. Nos outros níveis de ensino procurou concretizá-la sem gastar recursos e não há resultados, além de maior sobrecarga dos professores. Na parte final do seu governo recuou acabando com algumas disciplinas que só têm lógica na escola como ocupação formativa dos tempos livres, isto é, não são muito importantes para o conhecimento, mas teriam lugar para manter os alunos ocupados de maneira não muito exigente e para ajudar os alunos com dificuldades: estudo acompanhado, área de projecto, etc.

Os professores foram diabolizados e nada se faz de melhor sem eles, cometendo aqui um erro estratégico.

A actual avaliação de professores continua a ser burocrática e para inglês ver: basta preparar bem duas aulas e já está, podendo o resto continuar na mesma. Alguns avaliadores não são exemplo para ninguém, aumentando a conflitualidade dentro do corpo docente.

A reforma do parque escolar é bem vinda mas desarticulada da política educativa, pois ao mesmo tempo que se aumenta a capacidade de algumas escolas secundárias, deixa-se algumas escolas com 3º ciclo passar a ter secundário. A contradição está que se era para ser assim as escolas remodeladas poderiam ser mais pequenas (tenho em mente o que se passa no Conselho de Felgueiras, em que se aumenta a capacidade da secundária, ao mesmo tempo que 2 escolas de 3º ciclo passam a ter secundário). Pessoalmente a maior crítica a fazer às novas escolas contruídas é ter-se perdido a oportunidade de redimencionar o tamanho das escolas e reduzi-las para escolas com menos de 1000 alunos, como acontece na Filândia. Na educação «small is beautiful».

Espero que se comece a desmanteler daqui para a frente a filosofia facilitista, mas não tenho ilusões de que se o símbolo desta caiu, ainda falta combater as mentalidades que a ela aderiram e aqui há um longo caminho a percorre, justificando-se a continuação deste blog, na denúncia das mentalidades facilitistas que vão continuar por inércia ou mesmo convição.

 

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