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CONTRAOFACILITISMO

Blog para debater ideias que recusem o facilitismo em educação.

CONTRAOFACILITISMO

Blog para debater ideias que recusem o facilitismo em educação.

Janeiro 12, 2017

A alteração à gestão das escolas

vai-teaosprofessores

O debate sobre o modelo de gestão nas escolas está na ordem do dia e começam a aparecer iniciativas para debater o modelo de gestão das escolas. O mérito desta iniciativa, a de colocar em debate tal modelo, deve-se à Fenprof, talvez pressionada por alguns dos seus associados.

Para mim o principal pecado deste modelo de gestão foi ter acabado com a democracia participativa nas escolas ao desmobilizar os professores e alunos da participação nas escolas. Não tinha de ter sido assim, mas os diretores preferem não estar sujeitos a pressões democráticas, tendo de rebater ideias ou concordar com elas, aparecendo como os únicos iluminados no seu território.

Sabemos que na educação não há modelos únicos e há vários caminhos para se atingir os fins, pelo que o normal é haver diferenças de opinião sobre a melhor maneira de como educar e de como organizar a escola. Mas quem está dentro das escolas sabe que cada vez mais estamos perante modelos únicos de organização, um pouco como acontecia no governo anterior que propagandeava a inexistência de alternativa à sua política de austeridade (que hoje sabemos ser falsa). A diferença foi sendo assim afastada da micro política das escolas, existindo na maioria a prática de quem não está comigo, está contra mim, pelo que através de horários e outras subtis formas foi-se calando e mesmo afastando os que têm a ousadia de pensar diferente. Assim, nos dias de hoje temos situações de perpetuação de poder, com os mandatos a sucederem-se, rodeados de «yesmen», dispostos a defender o seu território de influência com unhas e dentes. 

Basta lembrar como eram as RG de professores do início da gestão democrática e compará-las com as de hoje para se perceber a transformação que houve. Antes tínhamos debates vivos com a direção a ouvir, mais do que a falar, hoje temos monólogos dos senhores diretores. Nalguns departamentos ainda haverá debate, mas a sua inconsequência, também transformou muitos departamentos em correias de transmissão dos recados da direção. Muitos com ideias diferentes também com medo das represálias só comentam as diferenças para os amigos. Com isto matou-se o debate de ideias.

Fora da escola, o centralismo do ministério também preferiu um único interlocutor que pudesse responsabilizar e desta forma controlar melhor.

Concluindo, as escolas são hoje locais onde não se pratica o debate de ideias e este facto levou ao fim da democracia participativa e esta é a principal consequência funesta do modelo de gestão em vigor e que para quem é adepto de uma escola democrática não pode deixar de denunciar.

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