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CONTRAOFACILITISMO

Blog para debater ideias que recusem o facilitismo em educação.

CONTRAOFACILITISMO

Blog para debater ideias que recusem o facilitismo em educação.

Fevereiro 12, 2020

A aplicação das medidas universais nos cursos profissionais e suas limitações.

vai-teaosprofessores

As medidas universais são para alunos que mostram dificuldades de aprendizagem e nos cursos profissionais é normal o professor fazer uma adaptação às caraterísticas dos alunos. Uma dessas adaptações é valorizar a componente do saber fazer com uma percentagem de pelo menos metade da parte cognitiva. Na parte cognitiva, sobre o saber, procuro restringir a matéria avaliada a perguntas previamente dadas, portanto orientando o estudo do aluno. Outra estratégia é reduzir a avaliação do saber a partes do lecionado através das questões de aula. Explicando melhor em vez de um teste sobre todo o módulo, entre 20 a 30 páginas, divido-o em questões de aula para reduzir a matéria que têm de estudar. Com estas medidas diminuíram o número de alunos que fazem recuperação.

Depois disto tudo ainda persistem alunos com resultados insuficientes para conseguirem aproveitamento. São os alunos completamente desmotivados, que ou faltam às aulas, ou estão de corpo presente, mas com o espírito ausente e que não fazem qualquer esforço para terem aprendizagens. Para estes as medidas universais não resultam porque mesmo nas medidas universais há e deve haver esforço (sem cair no facilitismo) e estes alunos nada querem fazer. São alunos desmotivados que são encaminhados para os serviços de psicologia ou para tutorias, os apoios não resultam. São situações em que os problemas familiares e sociais se sobrepõem às aprendizagens e só uma intervenção mais especializada permite inverter a situação.

A média na minha escola de insucesso no final dos 3 anos dos cursos profissionais ronda os 20% e traduz estes problemas, que têm um primeiro indicador no absentismo que estes alunos tendem a demostrar. Nalguns casos este absentismo encontra travão no facto de exigirmos que as faltas injustificadas acima do limite previsto, os 10% das aulas, sejam cumpridas na biblioteca, ou seja, passa a haver um preço sombra para as faltas que os leva a cumprir, na medida em que não se livram de estar na escola igual período de tempo por cada falta que dão. Assim, alguns alunos passam a ir às aulas, mas alguns destes continuam somente com o corpo presente. O facto de estarem na aula já significa algum sucesso social, pois não estão a passar o tempo de forma ociosa, correndo riscos de serem desencaminhados nos cafés integrados em grupos com comportamentos desviantes. Sabemos como o comportamento na adolescência é influenciado pelos grupos de pertença. Mas o sucesso académico continua inexistente.

Conclusão na medida em que a escola reflete os problemas da sociedade, não tem na sua (pouca) autonomia soluções para todos os problemas. As medidas universais são aplicáveis a quem tem um mínimo de empenho e de querer na aprendizagem. Os «forçados» a estar na escola e os desmotivados pela sua experiência social e familiar têm de ter outros mecanismos de intervenção que ultrapassam o professor.

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