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CONTRAOFACILITISMO

Blog para debater ideias que recusem o facilitismo em educação.

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Março 07, 2018

A carreira dos professores

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A carreira dos professores aparentemente tem 10 escalões, mas realmente tem nove, o último (10º) tem sido uma miragem.

Mas, começa a ser claro que só cerca de 1/3 da classe vai passar as barreiras de acesso aos 5º e 7º escalões, pois tirando os muito bons e excelentes só transitam nestes escalões menos de um terço (abriram mil e poucas vagas para 14.000 candidatos). Assim, a prática governativa de abertura de vagas só permite aceder aos últimos escalões uma pequena percentagem (digamos 1/3 e estou a ser generoso) dos professores, alguns tendo de esperar anos. Substituiu-se os professores titulares por uns privilegiados que acedem aos últimos escalões. Só aparentemente é que se pode falar em carreira única, pois há uma carreira para todos até ao 4º escalão, depois há um funil em duas etapas, os acessos aos 5º e 7º, e depois passa a haver «outra carreira» entre o 7º e o 10º. 

Pode-se contra-argumentar que esta análise é falaciosa, pois quem pedir as aulas assistidas e candidatarem-se aos muito bons e excelentes têm uma forma de contornar o que foi dito no parágrafo anterior. Errado, pois o acesso a estas classificações tem quotas, pelo que quem quiser seguir esta via também vai ficar limitado quantitativamente e vamos aceitar generosamente que esta quota acaba por ser de 1/3. Vamos pois dar ao mesmo. Por aqui não há uma escapatória via mérito. Quando sujeitamos o mérito a quotas estamos a limitá-lo e a desvirtuá-lo. 

Outra das consequências destes funis é os professores que não atingirem os últimos escalões também vão ficar penalizados nas reformas, pois esta é calculada sobre os vencimentos dos escalões iniciais. Junta-se a isto os anos em que os professores foram contratados, que em muitos grupos atinge cerca de 10 anos em média e temos mais um fator penalizador das reformas. Concluindo, no futuro os professores serão muito penalizados nas reformas, isto é, poucos irão para as reformas com uma pensão próxima do último vencimento recebido, pois a reforma é uma média dos rendimentos obtidos durante a vida ativa.

Como chegámos aqui? Houve habilidade dos governos e no mínimo ingenuidade dos sindicatos nos períodos negociais, que foram aceitando compromissos que salvaguardavam a maioria dos professores, mas que penalizavam quem entrava na carreira. Mas esta tem sido uma crítica aos sindicatos que tendem a defender mais os instalados. O problema de muitas organizações é navegarem à vista e pouco olharem para o futuro. Aqui faço a mea culpa, olhei para as propostas na minha perspetiva e faço parte da minoria que passou a barreira e já está instalado nos últimos escalões, mas esqueci-me dos novos. Peço humildemente desculpa a estes, ainda que não deixe de ser um zeco, sem cargos sindicais. Pelo menos falhei na minha participação no debate público, que é para isso que tenho um blog. Acordei tarde.

Concluindo, a carreira dos professores é cada vez menos atrativa, excetuando para aqueles que passarem os funis criados, que serão uma minoria.