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CONTRAOFACILITISMO

Blog para debater ideias que recusem o facilitismo em educação.

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Novembro 02, 2017

A desmotivação chegou aos professores?

vai-teaosprofessores

Com o ataque que os professores sofreram na última década sinto hoje que o brio profissional de alguns colegas esmoreceu. Com o aumento da precaridade, que se traduz em mais anos como contratados e muitas vezes com horários incompletos, a volatilidade das regras concursais, que os afastam da residência e da família, a não recuperação do tempo de serviço como contratados para efeitos de remuneração, a congelação das carreiras e seu efeito nas pensões, etc, está a provocar um sentimento de deixa andar em alguns professores.

Cada vez mais tenho colegas que dizem que não se estão para "chatear", com a indisciplina e com o aproveitamento, ou seja, começa a haver condescendência com a indisciplina, e o rigor da avaliação começa a diminuir, principalmente nos cursos profissionais, onde há pressão das direções e estruturas centrais para não haver insucesso.

Para documentar isto, alguns exemplos: tenho alunos que me dizem que só estão na escola até fazerem 18 anos e eu deixo-os estar deitados ou a ouvir música, desde que não perturbem o meu trabalho; o aluno fez isto ou aquilo, mas eu finjo que não vejo; não estou para meter os alunos na rua e preencher a papelada subsequente. No campo do aproveitamento: cada vez mais o teste é uma ficha que resolvi nas aulas anteriores; vou diminuindo o grau de dificuldade dos testes até passarem todos; fecho os olhos aos copianços; só dou testes com consulta.

Na minha opinião tudo isto representa a degradação da profissão docente e os docentes demitirem-se das suas funções de socialização e de aferição dos conhecimentos transmitidos, logo constato a falta de brio profissional que anda a par de um profissional que é cada vez mais penalizado pelo sistema. Acredito que ainda é uma minoria a ter esta atitude, mas esta «doença» vai-se alastrando com as desilusões em crescendo.

Só que estas atitudes não ajudam a reconquistar o prestígio para a classe docente, ou seja, entrámos num circulo vicioso, quanto mais a classe é subalternizada socialmente, mais os professores se desmotivam e mais a sociedade pode apontar aos professores se as atitudes de desleixo se generalizam. Mas este não é o caminho. O caminho é lutar e aqui temos falhado, pois, não estamos unidos. Temos é de seguir o exemplo dos efermeiros, médicos e juízes, marcar a nossa posição e lutar.