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CONTRAOFACILITISMO

Blog para debater ideias que recusem o facilitismo em educação.

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Março 23, 2017

A flexibilidade pedagógica

vai-teaosprofessores

Depois dos documentos sobre competências e sobre a chamada flexibilidade, em conjunto com o jogo de sombras nos bastidores, com o PR a dizer que era preciso cautela com as reformas, lá surge a reforma sobre flexibilidade pedagógica (e não curricular).

Em primeiro lugar parece-me de bom senso avançar-se com uma experiência piloto, ou seja vai-se aplicar de forma limitada e sujeita à posteriori a avaliação. Claro que num ministério centralizado e que tudo controla as escolhidas serão escolas que partilham esta visão e que garantam ao governo um sucesso. Mas mesmo assim concordo que se deva tentar outras formas de ensinar. Pelo que li no Público são propostas 5 formas de se flexibilizar o currículo no básico.

Para o nível de ensino que me interessa, o secundário, propõe-se que que as fronteiras entre cursos seja mais esbatida, com a possibilidade de haver uma disciplina de outros cursos a fazer parte do curriculo dos alunos. Segundo percebi os alunos de científico naturais poderiam substituir uma das disciplinas por Economia ou História, por exemplo, se houver condições (financeiras?; de oferta?). Ora é precisamente nestas condições que vai estar o entrave, porque em escolas do interior a possibilidade de haver esta flexibilixação vai encontrar entraves na falta de recursos para a concretizar. Basta ter presente que hoje já em muitas escolas as ofertas dos cursos de prosseguimento de estudos não é universal, tendo já algumas somente 1 ou 2 dos quatro cursos. Na minha escola só funcionam os cursos científico naturais e humanidades, não havendo economia nem artes. Por aqui se vê que esta flexibilização vai ser mais possível no litoral do que no interior.

Também se vai esbater a fronteira entre cursos profissionais e cursos de prosseguimento de estudos, ao ser possível substituir uma disciplina dos profissionais por uma que tenha exame, por exemplo, matemática dos profissionais por matemática A, ou economia dos profissionais por economia A. Esta substituição permitirá aos alunos dos profissionais ter acesso a mais cursos universitários, mantendo ao mesmo tempo um ensino mais prático. Esta solução permite ainda a alunos imaturos adiar a sua escolha profissional para mais tarde ao mesmo tempo que esbate a clivagem entre cursos profissionais e o acesso à universidade, o que me parece positivo.

Concluindo, é um progresso termos uma reforma experimental, o que permite calibrar e avaliar a sua generalização e ainda, permite adiar para mais tarde a escolha dos alunos ao mesmo tempo que lhes abre o leque de escolhas. O senão é o interior ter uma reforma mitigada pela falta de condições para a aplicar plenamente.