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CONTRAOFACILITISMO

Blog para debater ideias que recusem o facilitismo em educação.

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Outubro 17, 2016

A problemática dos professores «idosos» e a indisciplina

vai-teaosprofessores

Vem este post a propósito de um artigo do jornal público sobre a indisciplina dos alunos nas aulas dos professores mais velhos, onde a certa altura se acusa estes professores de darem aulas expositivas que conduzem à disciplina.

Sou um professor na casa dos 60, ainda com um horizonte de serviço ativo de mais 6 anos, não tenho tido problemas de indisciplina e dou aulas expositivas de cerca de meia hora. 

Depois desta declaração de interesse, quero dizer que ainda estou ao serviço porque as regras de acesso à reforma penalizariam-me em cerca de 40%. Portanto, se é preciso estar no ativo por causa da sustentabilidade da segurança social, não percebo as vozes contra os professores de idade. A necessidade de se trabalhar até mais tarde é uma imposição da sociedade e deriva da esperança média de vida estar a aumentar.

Mas o artigo parece ter um outro objetivo, que é atacar os professores mais velhos porque usam métodos de trabalho desadequados aos tempos modernos, particularmente as aulas expositivas, que julgo ser quando se expõe matéria nova aos alunos. Expôr matéria nova é uma necessidade, o problema não está em fazê-lo, tanto mais que ainda não conheço outra maneira de se introduzir novos temas, mas todos os professores sabem incluindo os mais idosos (particularmente estes) que esta exposição deve ser uma apresentação do tema e a definição de como o tema vai ser trabalhado a seguir, quer resolvendo exercícios, quer levando os alunos a pesquisar sobre o assunto, quer fazendo trabalhos. O essencial é adaptar-se a maneira de se introduzir uma matéria nova às caraterísticas dessa mesma matéria, assim como ao processo de avaliação a implementar. Resumindo há matérias que precisam de exercícios para as consolidar, outras adequam-se a trabalhos individuais, outras a pequenas pesquisas e apresentação das mesmas, etc. Assim, não faz sentido, parece-me mesmo um preconceito, a crítica às aulas expositivas, como aparece no artigo sem a contextualizarmos.

Concedo que a aula expositiva deve ter um tempo limitado, porque é um tipo de aula em que é difícil manter o aluno atento, mas meia hora todos os alunos conseguem estar atentos. Acho mesmo que este tipo de crítica é mais razoável para as aulas de hora e meia, onde se conhece da psicologia que a partir da hora a atenção pode começar a falhar, mesmo quando se trabalha em computadores ou se permite o uso de telemóveis.

Concluindo, o artigo parece ser mais um ataque aos professores, particularmente a quem pratica aulas expositivas, sem contextualizar e apresentado a pesquisa como alternativa ao método expositivo, quando a pesquisa pode e deve ser usada, mas quando a matéria a lecionar se adequa a isso. Por exemplo, promovo trabalhos sobre países quando falo do desenvolvimento, mas para tratar a inflação e como medi-la promovo exercícios práticos e não pesquisa.

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