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CONTRAOFACILITISMO

Blog para debater ideias que recusem o facilitismo em educação.

CONTRAOFACILITISMO

Blog para debater ideias que recusem o facilitismo em educação.

Dezembro 05, 2018

A questão do insucesso: porque não intervir sobre o aluno e a família?

vai-teaosprofessores

Há uma tese que percorre por estes dias o campo da educação: reprovar alunos é contraprodutivo para os alunos e um aumento de custos desnecessário. Um complemento desta tese é aumentar os anos de um ciclo, ou seja, diminuir os ciclos passando para 3 ou mesmo 2, para se ir colmatando as lacunas dos alunos ao longo dos anos desse ciclo.

Esta tese esteve na génese do título deste blog, na medida em que discordo completamente desta tese, daí o contraofacilitismo, sem prejuízo de se poder fazer muito mais para combater o insucesso escolar. Combater o insucesso escolar não é ter 100% de sucesso artificial.

Assim, não discordo que reprovar alunos acaba por os desmotivar e há aumento de custos em algumas turmas extra, que representam (hipótese) pelo menos cerca de 10% de gastos extra. Quanto aos custos a minha perspetiva é a de gastar estes 10% em reforço de recursos para acompanhar os alunos em vias de insucesso ou com dificuldades de aprendizagem, quer acompanhando psicologicamente as famílias e os alunos, nuns casos e aumentando as soluções pedagógicas, noutros casos, como coadjuvações, apoios com 3 alunos no máximo, etc. Aqui reconheço que a pedagogia diferenciada é um instrumento a considerar, sem que isto implique facilitismo nesta diferenciação. Dou um exemplo, haver uma questão de aula para recuperar grupos do teste, mas sem repetir os mesmos exercícios com valores diferentes. 

Basicamente reconheço que o insucesso pode ter várias causas, não podendo descartar-se a responsabilidade da família / aluno, sob pena de fazermos uma análise pouco rigorosa ao deixarmos de fora da equação esta variável, que algumas vezes é a determinante. De facto causuisticamente pode ser a organização, a adequação da escola ao meio envolvente, nomeadamente às novas tecnologias - aqui é preciso um plano nacional de para equipar as escolas com as TIC -, o desempenho dos professores, mas também o aluno e a família. A escola tem intervido ao nível da organização, desempenho dos professores - há espaço para melhorar a avaliação do desempenho -, mas tem deixado os factores aluno e família de fora da equação. Portanto, deixar de fora o aluno - que é considerado passivo e recuperável ao longo de um ciclo longo - e a família é uma forma de análise facilitista e anti científica, porque se exclui das variáveis explicativas algumas delas.

Também tem que se investir na escola em termos de meios tecnológicos para adequar o ensino ao uso atual das tecnologias, tendo presente que a tecnologia não é a panaceia para todos os males e nalguns casos é mesmo desadequada, por exemplo continuando os alunos a precisar de desenvolver a escrita manual e o calculo sem recurso a calculadoras.

Concluindo, as teses educativas que emanam do governo e CNE têm lacunas graves ao deixar de fora factores explicativos. Mesmo naquelas que o governo «aceita» intervir há ainda muito espaço para melhorar, investindo em tecnologias, melhorando a avaliação do desempenho dos professores e dotando a escola com mais meios humanos e de técnicos de psicologia para se aumentar o esforço sobre o aluno e as suas famílias.