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CONTRAOFACILITISMO

Blog para debater ideias que recusem o facilitismo em educação.

CONTRAOFACILITISMO

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Fevereiro 20, 2019

Ainda a propósito da greve dos enfermeiros

vai-teaosprofessores

O que se está a passar com a greve dos enfermeiros deve-nos preocupar a todos. Não li o parecer da PGR, mas o que salta à vista é que o direito à greve está a ser posto em causa, por um governo do PS, com apoio da esquerda, que se tem calado e tem tomado posições sectárias sobre algumas situações.

Veja-se, no caso dos professores, o desprezo dos sindicatos com a ILC, foi flagrante, estando estampado que ou são os sindicatos (Fenprof) a fazer ou outras iniciativas são divisionistas. Ora eu acho o contrário, foi a Fenprof que foi divisionista (estou à vontade sou sindicalizado no SPN) e tentou bloquear uma iniciativa dos cidadãos.

Depois com a greve de enfermeiros, quem não se lembra daquelas declarações de que fazer greve é perder o salário dos dias de greve, senão estaremos perante «greves burguesas», com a hipótese de haver interesses privados que a estejam a financiar, através do crowdingfund, cuja lei foi aprovada por todos os partidos há pouco mais de 2 anos - traduzi em linguagem própria a situação para tornar a minha ideia mais assertiva. Aqui o que se passa é tirar-se partido das novas tecnologias, o que pode enfraquecer o poder dos sindicatos instalados e colocar o poder perante novos desafios, que respondem limitando o direito à greve? Estamos perante uma velha questão: há os que se adaptam aos novos tempos e os que ficam cristalizados, correndo o risco de serem ultrapassados. Mas nada disto justifica que se tente limitar o direito à greve quando esta tem forte impacto.

Outra questão é a defesa do serviço nacional de saúde. Mas esta defesa pouco tem a ver com greves, tem a ver com o facto de Portugal já ter 40% da saúde entregue a privados, contra 15% na Europa; tem a ver com políticas de promoção dos privados à custa do SNS; tem a ver com a intenção deliberada de enfraquecer certos serviços públicos para promover o recurso aos privados; tem a ver com o subaproveitamento da capacidade instalada para favorecer privados.

 Concluindo, estamos perante um ataque ao direito à greve, em que por taticismo embarca alguma esquerda, receosa de perder poder (o governo a desejada maioria absoluta, a outra esquerda a hegemonia sindical), e devemos evitar introduzir a questão da defesa do SNS neste contexto, pois o seu ataque é quotidiano e leva décadas e a questão da greve só serve para desviar as atenções deste ataque. Parece-me correta a nova lei de bases da saúde que vai abrir caminho para que alguns recursos financeiros regressem ao SNS e deixem de ser para promover os privados. É por aqui que passa a defesa do SNS, aplicar nele a maioria dos recursos financeiros.