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CONTRAOFACILITISMO

Blog para debater ideias que recusem o facilitismo em educação.

CONTRAOFACILITISMO

Blog para debater ideias que recusem o facilitismo em educação.

Fevereiro 21, 2018

Debates da educação: o fim dos exames?

vai-teaosprofessores

Há debates que andam no ar, ainda que não explícitos, a saber:

* se a nota de educação física entra para a média no secundário;

* fim ou alteração dos exames para acesso à universidade;

* flexibilixação currícular versus exames e metas curriculares.

Comecemos pela questão de educação física, como esta disciplina está orientada para a prática de atividades físicas, não deve contar para a nota, pois há limitações físicas de alguns alunos, que desta maneira seriam prejudicados. Mas se esta disciplina estivesse orientada para a compreensão das regras dos vários desportos, então poderia fazer sentido incluí-la na média. Quanto ao desporto escolar este deveria ter também uma vertente de criar hábitos de atividade física, não relacionada só com a competição, como caminhadas, aulas de hidroginástica, etc.

Sobre a flexibilidade curricular, surge hoje (21/2) um artigo no JN, que refere que não se está a aplicar o ensino pluridisciplinar com base em projetos, porque este pode colidir com a preparação para os exames. Ou seja, no 10º ano, as disciplinas com exame estão a ser excluídas desta experiência porque tem de se dar a matéria toda para os alunos se prepararem para os exames. Há mesmo uma professora entrevistada que realça esta contradição (flexibilidade curricular até 25% da matéria e preparação para exames que incidem sobre toda a matéria). Portanto, o ministério avança com reformas (ainda que experimentais e parciais) mantendo tudo o resto, o que leva a contradições no enquadramento superestrutural do ensino, como a flrxibilidade curricular mantendo as metas do Crato, pois ou se flexibiliza ou se cumpre as metas. Isto é irresponsabilidade, pois, no mínimo, deviam ter revisto as metas curriculares.

Por fim, o artigo de Santana Castilho, realça o uso pelo governo de um relatório da OCDE (método que não é novo) para preparar mudanças no regime de acesso à universidade dos estudantes do secundário. Estas mudanças não aparecem explícitas, mas passariam pelo fim dos exames ou por alteração no regime atual (em vez de centrado nas escolas passaria a estar centrado no ensino superior), que permitisse as alterações que estão em curso ao nível curricular e que são a reforma da atual equipa educativa. Aqui estou de acordo com Guinote, esta medida pode desvalorizar o ensino público, que deixaria de ser credível, e facilitar a escolha do ensino privado, onde se manteria a qualidade do ensino. Castilho também realça a criação de cursos curtos no superior, como forma de desvalorizar alguns do primeiros ciclos do ensino superior, obrigando a que quem queira frequentar cursos credíveis paguem mais tempo as propinas que é uma forma de introduzir o fator económico na equação, mas ao mesmo tempo diminuir a capacidade do sistema educativo de ser usado como fator de trampolim social. Todos estes desenvolvimentos são alarmantes e tendem a desvalorizar a escola pública como fator de trampolim social possibilitanto aos alunos que vêm de estratos económicos baixos a ascensão social.

Concluindo estes indícios, que não são explícitos e são feitos subrepticiamente, apontam para mudanças no ensino que podem vir a ser preocupantes. Porque os exames introduzem um fator de uniformização na avaliação dos alunos, impedindo a generalização do facilitismo. Mas aceito qualquer outro método de se introduzir este ou outro fator de uniformização dos alunos ainda no secundário.

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