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CONTRAOFACILITISMO

Blog para debater ideias que recusem o facilitismo em educação.

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Novembro 04, 2014

Mais um post sobre os Cursos vocacionais

vai-teaosprofessores

Este ano tenho de acompanhar um curso vocacional. Tendo eu pouca experiência do ensino básico constato que os alunos são alunos com problemas, não só de aproveitamento, por terem reprovado pelo menos 2 anos, mas também problemas de comportamento. Enquanto nas outras turmas os alunos com problemas de comportamento eram a exceção, nos vocacionais são a regra.

Estas turmas são como as turmas de repetentes, guetos educacionais, no sentido de separar o joio do trigo e procurar transformar o joio em trigo. Tenho a certeza de que este não é o melhor caminho, mas existe e o operacional, neste caso cada professor, tem de dar o seu melhor.

A situação destes alunos faz-me apontar para um caminho de apoio emocional para compensar a discriminação de que são alvo ao separá-los dos restantes alunos do básico. Mas, a balburdia na sala de aula, aponta para a necessidade de uma atitude disciplinadora, capaz de aprender regras sociaais e acima de tudo permitir um clima de trabalho na sala de aula.

Este é o dilema que se coloca ao professor numa primeira análise, contudo, à medida que se vão conhecendo os alunos constata-se que para uns a afetividade e a compreensão dão resultados, mas para outros, o que resulta é a atitude disciplinadora, o que transforma o dilema num biómio, ou seja, as duas são soluções, ainda que se tenha de personalizar.

Mas tem que se ter cuidado na avaliação de cada aluno, pois estes são alunos experientes e que lidaram no passado com ambas as soluções, assim, uns tentam maximizar o apoio que recebem, outros tentam chantagear o professor quando este segue a via disciplinadora. No primeiro caso, temos o discurso de um aluno que se diz hiperativo e que se diz incapaz de estar calado e procura a compreensão, mas quando castigado, consegue estar calado. No segundo caso, temos o discurso do aluno que diz que o ano transato já teve 10 faltas disciplinares e portanto é mais uma e já está imune.

Portanto, temos alunos com capacidade de se adaptar a ambas as soluções, o que faz com que a procura da solução ideal seja complexa e exija tempo.