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CONTRAOFACILITISMO

Blog para debater ideias que recusem o facilitismo em educação.

CONTRAOFACILITISMO

Blog para debater ideias que recusem o facilitismo em educação.

Maio 13, 2020

O Ministério da educação já desconfinou e normalizou.

vai-teaosprofessores

Antes do Covid vimos como o ministério tratou os professores: não contabilizou todo o tempo de serviço, procurava desvalorizar os professores como seres pensantes limitando-se a serem (na sua visão) meras correias de transmissão do pensamento dos governantes.

Depois veio a pandemia e os professores mostraram um profissionalismo que permitiu implementar alterações radicais no funcionamento das escolas para responder à pandemia. O ensino à distância funcionou e mostrou publicamente os problemas que se têm na sala de aula quando há (alguns) alunos com atitudes que dificultam o funcionamento das aulas e criam indisciplina. Houve empatia pelo papel dos professores e o ministério da educação passou a elogiar os professores, quando antes os combateu, usando argumentos demagógicos, como ignorar / desvalorizar a parte dos aumentos salariais que aumentam os impostos.

Mas agora esta fase foi ultrapassada com o desconfinamento, voltou-se à normalidade de os tratar como trabalhadores diferentes – no sentido de terem menos direitos -, quando se volta às escolas e não há testes ao covid, como acontece com outros setores e foi imposto às creches. Não estou a dizer que não queremos correr riscos, estou a dizer que não está a haver a mesma precaução que houve para outros profissionais, como os trabalhadores dos lares e creches. A política de «testar, testar» não se aplica à educação! Também é significativo que se volta a reunir com quem não discorda das suas opções, ou seja, não tem ouvido os sindicatos, mas recebeu a pró-ordem (quando a nível político, e bem, o governo tem ouvido os partidos, os parceiros sociais e até presidentes de bancos e de clubes de futebol). Este contraste com o facto dos professores e seus representantes serem ignorados, sendo a normalidade pré-covid, não deixa de refletir uma opção clara do governo.

Claro que os professores não se deixam limitar e logo surgem reações como a petição na Assembleia da República em que se mostra que o regresso às aulas no secundário e os exames não cumprem «o direito dos alunos portugueses ao ensino com garantia de igualdade de oportunidades de acesso e êxito escolar». Ou seja, mostra-se uma alternativa e capacidade de reflexão.

Concluindo, o desconfinamento é também o regresso ao antes do covid, com um governo pouco dialogante com os professores e seus representantes e a aplicar critérios menos exigentes do que foi aplicado noutros setores na salvaguarda da saúde da comunidade escolar ao não realizar testes ao covid, ou seja, voltou o desprezo pelos docentes.