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CONTRAOFACILITISMO

Blog para debater ideias que recusem o facilitismo em educação.

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Novembro 22, 2017

O regresso dos ataques ferozes aos professores

vai-teaosprofessores

Os professores fizeram greve a semana passada, uma greve com impacto significativo, que levou o governo à mesa das negociações e das quais saiu um compromisso para se negociar o descongelamento, a recuperação dos anos congelados e as questões do tempo semanal de serviço, que desde o ministro Crato ultrapassa as 35 horas. Para o próximo ano, só entra em vigor o descongelamento, com o reposicionamento dos que entraram recentemente para os quadros, num esforço de 112 milhões de euros, segundo o ministro das finanças.

Depois destes acontecimentos, (re)começou o feroz ataque aos professores, pelos opinadores de serviço. O seu velho ódio contra os professores regressou, com base nos seguintes argumentos:

* progridem com base no tempo de serviço, falso porque há avaliação e exige-se o mínimo de Bom, formação profissional e quotas no acesso aos 5º (50%) e 7º escalões (33%);

* os resultados na educação são medíocres, desmentido pela evolução muito positiva nos testes internacionais -  esta evolução é conseguida muitas vezes contra as instruções do ministério que forçam resultados positivos, a que os professores resistem;

* lançam números descontextualiazados, como os 650 milhões de custo da recuperação do tempo congelado, sem que o acordo de recuperação do tempo congelado esteja definido, para alarmar a opinião pública. Se estes valores forem os corretos, fazer esta recuperação em 5 anos seria um acréscimo de esforço financeiro de 110 milhões, equivalente ao esforço previsto para 2018, se fossem mais anos, ainda seria menos o esforço financeiro.

O ódio pessoal de alguns comentadores aos professores pode ter uma explicação psicológica a exigir divã. A luta política pode ser outra explicação, mas alguns destes opinadores são da área do PS, talvez com um cordão umbilical à MLR. A este propósito é interessante os argumentos do Guinote sobre este regresso do ataque aos professores, um deles relacionado com a sua descrição da apresentação do livro de MLR em 2010, onde políticos e comentadores apareceram ao beija-mão, demonstrando um bloco central de interesses contra a classe de professores, que parece ainda estar muito presente na sociedade portuguesa. O outro argumento deste colega é que a área do jornalismo não pode dar lições de avaliação a ninguém, com as audiências em queda.

Mas enquanto o ferroz ataque aos professores vem ciclicamente ao de cima, aparece cada vez mais ignorado na comunicação social, os apoios à banca pelo Estado, que já vai em quase 10 mil milhões. Falamos de um número 100 vezes maior, mas com menos atenção mediática. Aliás, o discurso da direita continua a pôr o acento tónico na travagem da recuperação de direitos laborais, mas continua por fazer a regulamentação do sistema financeiro, que muito contribuiu para a crise de 2007/8. 

Concluindo, este ataque aos professores é o bloco central (que inclui o PR) a reagir à recuperação total de direitos, dizendo que a perda de direitos foi uma necessidade porque esteve na origem da crise, ignorando propositadamente que o sistema financeiro é que esteve no epicentro da crise. A crise serviu para acomodar na opinião pública a visão da direita para atacar os direitos e numa altura em que há recuperação destes, acenam com o fantasma do regresso da crise para abrandar o regresso dos direitos, num raciocíneo circular, sem ser sério, ao ignorar as verdadeiras causas da crise: a desregulamentação e ambição do sistema financeiro.