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CONTRAOFACILITISMO

Blog para debater ideias que recusem o facilitismo em educação.

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Novembro 07, 2018

Quando os alunos não sabem estar nas aulas!

vai-teaosprofessores

Já referi em post anterior que voltei a dar 10ºs anos depois de um longo interregno, cerca de 5 anos. Como só dou profissionais, é natural que muitos dos alunos que não querem estudar estejam nestes cursos. As turmas são heterogéneas com poucos bons alunos, alguns alunos médios e a maioria alunos que não querem estudar.

O que me tem surpreendido é alunos que não sabem estar na sala de aula, quer porque estão sempre a conversar, quer porque falam sem autorização do professor, não cumprem horários, etc. Numa palavra estes alunos não estão socializados, confundem bagunça com liberdade, pensam que uma aula é como estarem à mesa do café em grupo, acham que podem vir para a aula quando querem, atiram papeis para o lixo modo basket durante a aula, não têm noção de que ao falarem alto distraem os colegas que querem trabalhar.

A peimeira tarefa dos professores é socializarem os alunos levando-os a cumprirem regras, como pedir para falar, cumprir horários dentro de uma tolerância, estar na aula para trabalharem. Assim, desde logo sou rígido com os horários, pedir para falar, estarem sempre atentos, quem não estiver vai para a biblioteca com uma tarefa, etc.

Começando os alunos a cumprir estas regras, as aulas tornam-se produtivas, porque o aluno descobre que é mais fácil estar nas aulas a trabalhar, cumprindo o que o professor pensou para o plano da aula. O tempo custa menos a passar. Mas o mais interessante é que com a nova postura o aproveitamento melhora. Já tive alunos que desabafaram que nas minhas aulas o tempo passa mais rápido, que preparar os testes foi mais fácil com o caderno organizado, etc.

O que eu não compreendo é como estes alunos chegaram ao 10º ano sem estarem socializados, houve concerteza professores que se demitiram de o ser para evitar conflitos, ou deram prioridade aos bons alunos em deterimento dos que exigiam mais esforço (como já aconteceu com a turma da minha filha, em que uma professora só chamava a participar na aula os 3/4 melhores alunos) ou simplesmente faziam parte de uma turma problemática, em que se criou um gueto como forma de resolver problemas disciplinares e de aproveitamento, tornando-se a situação ingerível. Se não aceito retirar o aluno da equação que pode explicar o insucesso, também não retiro o professor. Isto é, o insucesso é explicado por várias variáveis, em alguns casos o problema pode estar no aluno (na sua família), outros casos pode estar no professor, noutros casos pode estar no sistema que não encontrou a melhor solução para aquele caso. 

Isto vem a propósito de o Ministério ter colocado o ónus dos insucessos nos professores, porque podem fazer diferente e melhor, esquecendo-se do aluno que aparece como não sendo uma possível variável, e principalmente ignorando as suas responsabilidades organizativas quando pedem esforços sem os recompensarem (horas extraordinárias não remuneradas porque não há dinheiro) e propõem alterações que exigem recursos ou humanos ou financeiros, mas não os disponibilizam.

Concluindo, não me demito de ser professor e luto em primeiro pela disciplina na perspetiva da socialização do aluno e ao conseguir esta disciplina melhoro o aproveitamento.