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CONTRAOFACILITISMO

Blog para debater ideias que recusem o facilitismo em educação.

CONTRAOFACILITISMO

Blog para debater ideias que recusem o facilitismo em educação.

Abril 21, 2015

Os outros critérios na atribuição de notas

vai-teaosprofessores

 

 

Numa escola além dos testes, que valem entre 80 a 70% da nota final existem outros critérios que têm a ver com o empenho e com o civismo.

Na turma dos «bons malandros», estes gostam de perturbar as aulas com diversas brincadeiras, havendo destes ainda uns poucos que sem trabalharem chegam a uma nota interessante, acima do suficiente.

Acontece que em face do seu (falta dele) empenho na sala de aula e comportamentos de pouco civismo, como falarem muito, não respeitarem as regras de participação, estes alunos baixam a nota do teste, ficando com uma nota final inferior ao da nota do teste.

Estes alunos não gostam desta situação, mas estes critérios são anunciados no início do ano, servindo para subir notas, por exemplo, um aluno com 9 pode ficar com positiva se tiver trabalhado na sala de aula (empenho) e um comportamento adequado (civismo), mas também para as descer como o caso que aqui vos trago. Serve esta situação para sinalizar a estes alunos que podem fazer mais, além de que por vezes perturbam o funcionamento da turma. A nossa liberdade acaba quando começa a dos outros.

Normalmente os alunos só veêm os aspetos positivos das regras e ignoram os aspetos negativos, mas, evidentemente, estas cobrem todas as situações, as negativas e as positivas.

Fevereiro 08, 2012

Resultados da avaliação interna

vai-teaosprofessores

A escola publicou hoje os resultados da avaliação interna referentes ao 1º período.

Na turma do 12º ano economia C tenho 38% de negativas, contra 20% em matemática e 0% em geografia C. Em relação a matemática, como a turma está expurgada das anulações de matrícula, os resultados são menores. Já em relação a geografia C, as diferenças poderam ter a ver com o grau de exigência.

Na turma do 11º ano, a percentagem de negativas atingiu 48%. Fui professor desta turma por imposição da direção para resolver as situações de indisciplina. Estes resultados são ligeiramente melhores que matemática e para a matéria mais difícil do biénio, a contabilidade nacional e a balança de pagamentos.

De qualquer maneira em ambas as turmas nota-se alunos com dificuldades em economia e matemática, em percentagem bem elevada, não tendo os alunos consciência na altura da matrícula da exigência desta área em termos de matemática. Este fato devia levar a melhor esclarecimento da exigência dos cursos em certas disciplinas como matemática.

Como já expliquei sou contraofacilitismo e os resultados provam esta minha filosofia. Mas os alunos com positiva normalmente não têm surpresas na avaliação externa, leia-se exames nacionais, onde as notas não são muito dispares das da classificação interna. Portanto comigo os encarregados de educação têm uma visão mais real sobre os resultados em exame e esta frontalidade não se coaduna com o facilitismo, mesmo que me custem algumas tensões com alguns encarregados de educação.

Novembro 21, 2011

Os alunos continuam a passar com 8 valores

vai-teaosprofessores

Já o 1º período vai avançado e dou-me conta que nos critérios de avaliação a ESF continua na mesma no que se refere aos cursos profissionais, com os alunos a poderem passar com notas de 8 valores na avaliação de conhecimentos completados com outros critérios que continuam a valer 40% da nota final. Ainda não foi este ano que se iniciou a recuperação deste facilitismo. Já para os cursos de prosseguimento de estudos, os outros critérios podem variar entre 20-30%, pelo que coerentemente, contraofacilitismo, foram estipulados em 20%.

Não sou contra a função socializadora da escola, mas a sua avaliação só deve pesar o máximo 20% na nota global.

Tive este ano uma turma nova que me foi imposta no 11º ano, portanto já a meio do seu percurso escolar de economia. As notas obtidas no 1º teste foram muito más em relação às notas que lhes foram atribuídas no 10º ano. Dadas as circunstâncias de os alunos não estarem habituados aos meus métodos vou fazer um teste de recuperação, mas sem deitar fora a nota do teste já feito. Estou a pensar em atribuir 50% ao teste feito e 50% ao teste de recuperação, para que os alunos não deixem de assumir responsabilidades do que fizeram, mas ao mesmo tempo dar-lhes hipóteses de recuperarem, compreendendo as circunstâncias decorrentes de mudarem de professor. Ser contraofacilitismo não implica não compreender as circunstâncias anormais ou especiais, sendo natural haver um período de adaptação entre professor e alunos. Depois, quem teimar em resistir à mudança vai ser penalizado... até porque na aula de apoio trabalho o que considero essencial, os alunos aprenderem a fazer resumos e a desenvolverv temas. Depois de preparados não há razão para não se adaptarem.

Sobre o novo ministro não vou fazer comentários, além de o considerar como adjunto do ministro das finanças para educação, porque ainda não há nada de concreto decidido, além dos cortes já anunciados.

 


 


Novembro 10, 2010

Os critérios de avaliação de alunos e as suas expectativas

vai-teaosprofessores

Às vezes os blogs servem para fazermos uma catarse em relação a certas situações, a que trago aqui diz respeito à avaliação de alunos numa turma de profissionais, com 60% para testes e 40% para outros critérios. A disciplina que dou é uma disciplina de cálculo e portanto com notas boas e péssimas. O meu espanto foi haver alunos com 3, 4, 5 e 6 que se achavam no direito de passar, porque os «outros critérios são para compensar as notas dos testes». Além disso fui pressionado até à exaustão por um aluno com 7 valores para o passar, com base no argumento que outros 7 passaram.

Estas situações dizem muito sobre as expectativas que os alunos têm do ensino e se o vêem como facilitista não há incentivo para estudarem, ao ponto de revindicarem passar com notas baixíssimas.

Não concordando com a atribuição de percentagens superiores a 10% para os outros critérios, tenho a obrigação de aplicar o decidido pela direcção e CP, mas claro os outros critérios são aplicados não só a favor dos alunos mas também contra quando o civismo, empenho e comportamento do aluno é provocatório e com pouco respeito pelos colegas e professores, como foi o caso do aluno que me pressionou, tendo inclusivamente recebido uma ordem de saída da sala de aula. Depois esses alunos na hora da avaliação não assumem a sua responsabilidade, e como a escola serve de preparação para a vida, temos de os responsabilizar e é o que eu faço não me demitindo desta minha responsabilidade de avaliar com justeza, dentro dos parâmetros que me são estabelecidos, e que tento todos os anos melhorar.

Setembro 28, 2010

Ainda a propósito da Filândia.

vai-teaosprofessores

Ainda a propósito da Filândia aqui vai um testemunho real de uma colega:

A Escola na Finlândia: vale a pena ler!

 

 

 

Testemunho de Fátima F, professora de Inglês envolvida num intercâmbio com uma escola na Finlândia 

Vejam só a diferença!!!!!

"Em primeiro lugar quero esclarecer que esta visita correspondeu a mais uma mobilidade do Projecto - Eco-Sport, Eco-Culture and IT - integrado no Programa Comenius a que a minha escola (Sec. Augusto Cabrita - Barreiro) se candidatou e que neste momento já está próximo da sua conclusão, tendo sido iniciado no ano lectivo 2008/09. A iniciativa foi de professores de Informática que envolveram algumas das suas turmas de Cursos Profissionais. Eu integrei o projecto enquanto professora de Inglês de algumas dessas turmas. Neste Projecto estão envolvidas escolas de sete países: Portugal, Itália, República Checa, Polónia, Roménia, Suécia e Finlândia. Faremos 6 mobilidades e já recebemos na nossa escola as delegações dos outros 6 países em Outubro passado.

Relativamente à Finlândia a escola com quem temos este intercâmbio situa-se na pequena localidade dePerniö, na região de Salo, a 2 horas de camioneta da capital Helsínquia. Perniö tem:

Uma Secondary School - frequentada por alunos dos 12/13 aos 15/16 anos - correspondente ao nosso 3º Ciclo - 234 alunos e 23 professores ; 3 ou 4 funcionárias (de limpeza) e a Directora.

 

Entrada da Escola com os trenós.

 

 

Hall de entrada. Casacos e calçado são tirados. Os alunos andam em meias por toda a escola. Conforto e limpeza!!!

 

Alunos em aula. Cadê os 28/30 alunos? Entre os 16 e os 20 alunos!

 

O refeitório: a comida vem de um serviço de catering. Há 1 funcionária que coloca a comida nas cubas, os alunos servem o seu próprio prato, limpam o prato e os talheres que arrumam num balcão, as mesas ficam sem uma migalha e suspendem as cadeiras nas mesas para que tudo fique arrumado e reduza o trabalho da funcionária. Os alunos não pagam a refeição.

 

Sala de Informática

 

 

Laboratório de Línguas

 

 

Sala de Professores - pode ver-se um balcão onde os próprios professores preparam os seus lanches, fazem café ou chá ou aquecem alguns alimentos. Não há bares, nem de alunos nem de professores. Poupam-se assim funcionários!

 

Ao lado da sala de profs. - Reprografia sem funcionário. São os professores que preparam o seu material.

As dimensões não são comparáveis com a nossa realidade. No entanto, o poder central não fecha escolas, pois considera importante a manutenção dos jovens nas suas terras.

A educação é da responsabilidade da " municipalidade" ( se me é permitida esta tradução), embora o sistema educativo seja regulado por um "Gabinete da Educação" central, logo comum a todo o país.

Recepção musical pelos alunos finlandeses.

 

 

Os sapatos à porta da sala!!!!

 

 

Não há toques de campainha. Alunos e professores entram e saem à hora certa.

 

Aula de Inglês

 

 

Aula de Ioga

 

 

Alunas do intercâmbio interagindo em actividade criativa sobre o tema "Common Europe"

 

Visita Cultural à cidade de Turku

Horários

- Professores- 36 horas semanais - aulas + actividades ( incluindo preparação de aulas)

-   Alunos -  começam às 8.00h terminam às 14.00h - depois das 14 horas, os alunos calendarizam actividades - música, teatro ou desporto. Podem pedir sessões de apoio aos professores.

Os professores entre as 14horas e as 16horas marcam com os alunos as várias actividades de acordo com as necessidades. Nada está definido à partida. Os professores estão disponíveis para o que forem solicitados.
- Turmas - de 16 a 20 alunos, contudo como se trata de uma Upper School, pode haver grupos maiores já que neste nível de ensino a progressão dos alunos faz-se por acumulação de créditos. Para poderem realizar os Exames Finais  ( Nacionais) os alunos têm de ter um mínimo de 75 créditos. Há disciplinas obrigatórias consoante a vertente dominante da sua formação. Este sistema permite que um aluno que queira seguir uma área de Ciências possa escolher disciplinas da área de Humanidades desde que cumpra as disciplinas consideradas obrigatórias na sua área. Os alunos vão-se inscrevendo nas disciplinas para fazerem créditos e tendo em conta os horários em que as disciplinas funcionam logo, pode acontecer haver grupos maiores.
Nota: Este sistema de créditos é o sistema de todo o país.

Disciplina/ Comportamento - os alunos cumprem as regras de disciplina da escola. Quando há problemas os pais são chamados à escola ou contactados por telefone. Quando os alunos não querem estudar ( já estão fora da escolaridade obrigatória) abandonam, mas são uma minoria. Os pais vão pouco à escola!! Só quando são chamados.

Faltas - quando faltam os alunos apresentam justificação dos pais ou do médico. Não há limites. Cada situação é avaliada pelo professor da disciplina que terá a assiduidade do aluno em conta na avaliação. Se é um aluno com muitas faltas e nos testes não tem resultados positivos, é automaticamente assumido que isso significa reprovar, isto é, não acumula créditos. Não há recuperações, nada! O que conta é o número de créditos que cada um tem de conseguir para poder fazer os exames finais! Os alunos muito interessados em alargar as suas áreas de conhecimento fazem créditos a mais e enriquecem o seu currículo escolar.

Avaliação dos Professores - são avaliados anualmente pela Directora da escola que se limita a observar o trabalho dos docentes durante o ano nas várias vertentes. Só têm aulas assistidas pela Directora quando surge algum problema relativo ao seu trabalho. Esse problema pode vir de queixa apresentada pelos alunos, pelos pais ou até mesmo por outros professores ( mais experientes) que podem detectar irregularidades ou dificuldades.

 Cada professor tem a sua sala com todo o seu material. Até parte do trabalho administrativo, registo de progressões , é feito pelos próprios professores, tanto que a escola não tem Secretaria. Tem o gabinete da Directora que realiza o trabalho necessário.

Nota: A burocracia não deve ter nada a ver com a montanha horrível de papel que nós temos nas nossas escolas portuguesas.

É tudo simples e eficaz: as salas estão abertas, não há funcionários a tomar conta dos meninos porque vandalizam e roubam os equipamentos ou porque roubam os telemóveis uns aos outros, os pais não andam a correr para a escola a queixar-se da má relação que o prof. X tem com o filho, ou que a filha é vítima de bullying, ou que a comida no refeitório não presta, ou que o professor pôs o filho na rua, etc... A escola é respeitada. Enquanto os filhos estão na escola, têm de cumprir as regras da escola e "ponto final". Só como exemplo, sempre que nós entrávamos numa sala de aula, os alunos levantavam-se e cumprimentavam-nos " good morning".

 

 

 

   

 

 

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Maio 28, 2010

A questão dos outros critérios.

vai-teaosprofessores

O que são os outros critérios?

São critérios usados além da avaliação de conhecimentos para atribuir a classificação ao aluno. Estes outros critérios englobam o comportamento, a assiduidade, participação, por exemplo.

Fazem sentido a sua existência? Na minha opinião, fazem sentido, porque com eles avalia-se a socialização do aluno, ou seja, se o seu comportamento está adequado às regras predominantes na sociedade. A escola deve socializar os alunos e estes devem ser avaliados em termos de socialização.

O problema com os outros critérios é o peso excessivo que algumas escolas dão aos outros critérios, que é uma forma de se introduzir o facilitismo e promover a passagem dos alunos. Por exemplo, com 60% para a parte do conhecimento e 40% para os outros critérios, um aluno razoavelmente comportado, acaba por poder passar com nota de 10, com somente 8 valores na parte de avaliação de conhecimentos (8*0,6+12*0,4=9,6), estando na prática a baixar-se o nível de exigência das matérias leccionadas. Isto tem como consequência que o aluno que queira fazer o mínimo, só trabalha para ter um 8 nos testes. Portanto a mensagem que passamos é: não te esforces muito que passas na mesma, o que cria problemas acrescidos de motivação para o aluno trabalhar. Se o aluno fôr indisciplinado estão é penalizado nos outros critérios e pode mesmo ter negativa com um dez nos testes, o que mostra que este é um instrumento poderoso no combate à indisciplina nas escolas.

Por outro lado, a minha prática lectiva na aplicação desta proporção (60/40) mostra que os piores alunos em adquirir conhecimentos e um comportamento razoável têm classificações finais superiores em 1 ou 2 valores, enquanto os bons alunos não beneficiam nada na nota final, com os outros critérios, porque um 17 na média da avaliação de conhecimentos dificilmente subirá para dezoito.

Em face desta reflexão acho que o máximo que os outros critérios deviam ter de peso seriam 20% para o 3º ciclo e cursos profissionais e 10% para o prosseguimento de estudos, e aceito os vinte 20% por causa do reconhecimento que fiz da sua importância como factor disciplinador, pelo que em certas turmas o seu uso como factor disciplinador pode ser um instrumento relevante que aumenta a autoridade do professor.