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CONTRAOFACILITISMO

Blog para debater ideias que recusem o facilitismo em educação.

CONTRAOFACILITISMO

Blog para debater ideias que recusem o facilitismo em educação.

Abril 11, 2012

A festa da MLR

vai-teaosprofessores

Ontem no parlamento a ex-ministra MLR falou em festa a propósito da parque escolar: para os engenheiros, para os arquitetos, para as construtoras. Também acho que o seu governo foi uma festa para o facilitismo, festa essa que financeiramente estamos a pagar, todos,  não só os que dela beneficiaram.

Também houve festa para os alunos mal comportados e faltosos, com o seu estatuto do aluno.

Por outro lado, houve o mais vil ataque à profissão de professores que foram considerados uns priveligiados e malandros, mas somos nós, os professores que agora apanhamos os cacos e os tentamos colar, num ambiente de desvalorização social da classe e mantendo a qualidade do ensino na escola pública, quer em escolas luxuosas (para a classe média), quer em escolas frugais.

Cara senhora a festa saiu-nos demasiado cara, em termos monetários, mas também em degradação do ambiente nas escolas e no respeito social da classe docente, além de que os alunos que embarcaram no facilitismo por si incentivado, poderão ter hipotecado o seu futuro!

Fevereiro 16, 2011

A escola pública reage aos problemas que lhe criam

vai-teaosprofessores

A escola pública começa a reagir aos problemas que lhe estão a criar, a saber: avaliação dos docentes, redução de efectivos, clima de desconfiança entre os professores, etc.

Começo por considerar que o principal problema da escola pública é o da indisciplina resultante da pressão para os alunos não terem insucesso escolar, porque há alunos que vão passando sem alcançarem objectivos mínimos, o que os leva a terem comportamentos incorrectos na sala de aula e destes comportamentos não resultam quaisquer sanções, alguns ainda são premiados com passagens de ano. Este problema começa a ser debatido na sociedade, também na escola, o que já é um aspecto positivo.

O segundo grande problema que causa instabilidade é sem dúvida a avaliação de professores, que veio criar um clima de desconfiança generalizado entre professores, porque o sistema é injusto, avaliadores e avaliados são concorrentes dentro da mesma quota, e porque a operacionalidade de vários parametros da avaliação não tem muita lógica em face das condições objectivas de funcionamento das escolas. Sobre o assunto li no blog do Guinote um texto em que se colocavam várias questões sobre os parâmetros com toda a pertinência. O problema com esta avaliação de professores é esta desviar o trabalho dos professores da sua principal actividade que deve estar centrada nos alunos.

Por último a senda economicista continua, reduzindo-se o número de professores, quando se devia era reafectar os docentes para as áreas consideradas chaves para se realizar o sucesso desejado. O caminho não é decretar-se o sucesso, mas criar-se condições para que ele aconteça, o que em muitos casos implica empenhar recursos humanos e não o contário. Como diz o povo não se pode fazer omoletes sem ovos ...

Depois de um período de acalmia e à medida que se constata a inoperância das soluções propostas, a escola pública começa a reagir, ainda timidamente, mas creio que se vai verificando um crescimento sustentado.

Fevereiro 09, 2011

O fim da escola a tempo inteiro

vai-teaosprofessores

As medidas que o ministério da educação está a implementar são medidas economicistas que visam retirar alguma gordura ao sistema de ensino, mas que por outro lado põem em causa a bandeira do governo da escola a tempo inteiro, e nalguns casos a qualidade do ensino, como na disciplina de ETV,  e a preocupação social da escola, ao acabar com áreas que deviam ter um papel importante na recuperação do insucesso escolar como o estudo acompanhado.

Ora o rigor orçamental obriga a meter na gaveta certas bandeiras governativas, como a escola a tempo inteiro, que vai sofrer algum revés com a diminuição dos tempos lectivos dos alunos a partir do 2º ciclo. Mas quem está no terreno sentia que os alunos tinham sobrecarga horária. Assim sendo, o que está errado é o objectivo escolhido pela governação, que não resistiu às primeiras dificuldades, o que demonstra que não era uma prioridade.

Já os aspectos relacionados com a qualidade de ensino, ainda não estão na agenda política, ou seja, a opção política continua a apostar na quantidade, mais escolaridade obrigatória, mas nada é dito quanto à qualidade, que deverá aparecer como resultado indirecto com a implementação da Avaliação dos Docentes, na medida em que são propostas metas de resultados mais ambiciosos? Julgo que a avaliação docente não vai produzir resultados, porque a escola não muda, além dos professores avaliados prepararem cuidadosamente duas aulas assistidas ... Não é por aqui que se vai melhorar a qualidade de ensino, talvez com outro modelo de avaliação que estimulasse o trabalho de grupo e a reflexão conjunta se conseguisse alguma melhoria, além de mecanismos de apoio aos alunos em dificuldades, que obviamente custam dinheiro, que agora não há.

A preocupação social da escola como garante de igualdade de oportunidades também vai sair prejudicada, na medida em que os mecanismos existentes que constiuiam uma oportunidade de recuperar alunos, ou tão só de se suprir as deficiencias apresentadas pelo aluno em termos de capital cultural, vão desaparecer da organização escolar ou ser restringidos.

Concluindo, houve um flop na bandeira governamental da escola a tempo inteiro, houve diminuição da qualidade de ensino e menor preocupação social no âmbito da política escolar, o que em nada contribui para se dignificar a escola pública.

Outubro 27, 2010

Sobre o fim das disciplimnas de estudo acompanhado e área de projecto

vai-teaosprofessores

Esta medida justifica-se do meu ponto de vista porque não estavam, as ditas disciplinas, a produzir resultados, pelo menos é essa a minha percepção. Mas daí a extinguir-se, quando há áreas decisivas que precisam de novas estratégias como português e matemática, já me parece demais e economicista, podendo-se, direi mais ... devendo-se, voltar a criar bolsas de horas de apoio para os alunos com dificuldades, centradas nas tais áreas decisivas nos primeiros anos de escolaridade, como é o caso de português e matemática.

Este é o caminho não facilitista, reconhecer os problemas precocemente e procurar soluções paea os resolver, mesmo que custem dinheiro, evitando-se varrer os problemas para debaixo do tapete, ou seja, arranjar estratagemas para os alunos passarem...Esta sim seria um contributo para criar igualdades de oportunidades e para a defesa da escola pública para todos.