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CONTRAOFACILITISMO

Blog para debater ideias que recusem o facilitismo em educação.

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Maio 13, 2014

Piketty e a educação

vai-teaosprofessores

O livro de Piketty sobre o «capital no século XXI» abre um novo campo de reflexão sobre a educação, que parece perder o poder de ser fator de ascensão social à medida que os 1% dos detentores da riqueza captam a maior fatia da riqueza criada. Voltamos pois ao mundo que o fator de ascensão social é o casamento, como nalguns romancistas do século XVIII, aparecendo a educação subalternizada. (No meu blog abelhudo-economicus podem obter um resumo da análise de Piketty).

Claro que o caso dos EUA é diferente da Europa em que o trabalho especializado explica uma parte dos detentores da riqueza com base nos altos salários que indiretamente atribuem a si próprios. Neste caso parece que a educação ainda terá um papel preponderante neste tipo de rendimento. Isto coloca a educação, ainda, como um fator de ascenção social, quando se acede a certos empregos de topo ou se consegue ser ator de inovações teconológicas como na Microsoft ou na Apple. Ou seja, o sonho americano ainda é uma realidade, ainda que mais mitigada, com a predominância do capital herdado.

Outro elemento da análise de Piketty é a inovação tecnológica que reforça os mecanismos de apropriação da riqueza pelo capital quando a taxa de substituição de capital por trabalho é superior à unidade, isto implica que há cada vez menos empregos e somente para pessoas com estudo, isto é, quanto mais robotizada estiver a produção mais o trabalho é especializado e não indiferenciado. Daqui parece concluir-se que a educação é essencial para se obter um emprego, mas cada vez menos para servir de veículo de ascensão social.