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CONTRAOFACILITISMO

Blog para debater ideias que recusem o facilitismo em educação.

CONTRAOFACILITISMO

Blog para debater ideias que recusem o facilitismo em educação.

Novembro 12, 2013

A questão dos rankings: o insucesso das políticas para a escola pública

vai-teaosprofessores

A análise dos rankings prosseguiu esta semana com a publicação dos resultados dos exames do ano 2012/13. O debate continua centrado na dicotomia escolas públicas versus privadas, com o governo a aproveitar para lançar o cheque-ensino, isto é, prosseguindo a privatização da educação, procurando alargar o ensino privado. Claro que aparentemente o ensino privado tem melhores resultados e a privatização do ensino provocará melhores resultados e assim aparentemente faz todo o sentido falar em privatizar a educação. Esta tentativa de alargar o ensino privado, já teve uma primeira ronda, com a constituição de turmas em que os privados foram favorecidos, através do limite de abertura de turmas no público, apesar do investimento em instalações. Agora surge o cheque ensino, como segunda ronda desta privatização.

Contudo, há outra forma de olhar para os rankings, estamos a comparar escolas com dimensões diferentes, há agrupamentos com mais de 3000 alunos, enquanto as escolas privadas não ultrapassam os 1000 alunos, ou seja a dimensão média das escolas privadas aproximam-se da dimensão das escolas em países com sucesso educativo  e as públicas têm o dobro ou triplo da dimensão ideal. Veja-se o número de alunos a fazer exame nas escolas públicas e nas escolas privadas.

Nas escolas privadas aceitam-se vários tipos de gestão, enquanto na escola pública temos só a gestão unipessoal. Em face disto o meu caminho seria outro: reforçar a escola pública com a redução da sua dimensão e tornar a escola pública mais participada pelos professores e famílias. O caminho de amontoar alunos na escola pública, aumentar o número de alunos por turmas, parece a estar a dar maus resultados. A solução será arrepiar caminho em vez de enveredar pela privatização. Até parece que nos últimos anos se maltratou a escola pública para agora se defender a sua privatização (com o argumento de reduzir o défice)...

Outubro 18, 2012

A educação aparece como alvo de mais cortes

vai-teaosprofessores

Sobre a educação as notícias não são boas, esta área aparece como passível de mais cortes na reformulação das funções do Estado. Ora, para (2012/)2013 haverá na educação um corte de professores contratados significativo, que aliás se vai traduzir numa redução da despesa em dois dígitos (cerca de 11%). A única boa notícia é a vinculação de alguns contratados com bastantes anos de serviço, com base, consta-se, no conceito de quadros de zona pedagógica, para que este concurso não colida com o concurso quadrienal de colocação de professores, onde os colocados nestes quadros teriam de se candidatar também para obterem a escola onde exercer. Os encargos com salários neste ministério já foi reduzido  em cerca 20%, descendo dos 80% para os 60%, com base na redução de pessoal e com base na manutenção do salário nominal (congelamento), o que se traduz na redução dos salários reais pelo valor da inflação verificada em cada ano (é o chamado imposto inflacionário).

Mas tudo isto numa altura em que aumenta a escolaridade obrigatória, o que devia levar a um aumento dos gastos, pois mais alunos permanecem no sistema, nomeadamente os das famílias carenciadas. Mas escolaridade obrigatória parece que não significa sensiblidade social, com a recusa de almoço (não de alimentação, leia-se lanche reforçado) a quem tem dificuldades. Ou seja, por um lado, o Estado impõe a permanência dos alunos no sistema até ao 12º ano, mas por outro lado, não ajuda as famílias a assegurar este desiderato, pois só lhe interessa a redução da despesa pública...

Por fim uma palavra sobre os rankings, estes passam a fazer algum sentido quando ponderados pelo ambiente sócio-económico de cada escola. Por outro lado, a comparação entre público e privado subsidiado pelo Estado, isto é privado que não pode fazer a seleção de alunos, mostra que não há grandes diferenças de resultados, aliás acontecendo mesmo que aparecem escolas públicas melhor que as privadas em alguns concelhos, por exemplo em Barcelos o colégio La Salle aparece depois de duas escolas públicas. A diferença entre escolas públicas e privadas reside pois no estrato social mais homogénio e elevado destas últimas e na seleção de alunos, que algumas públicas também tentam fazer...Por outro lado não faz sentido identificar as escolas com piores resultados e isto não se traduzir em meios para se ir solucionanado o problema, antes pelo contrário dá-se mais crédito de horas às escolas melhor avaliadas.